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quarta-feira, 13 de janeiro de 2021

"As nossas almas estão mortas"




Sobreviver num campo de reeducação para Uighurs, na China. 

"Os nossos corpos exaustos moveram-se pelo espaço em uníssono, para frente e para trás, de lado a lado, de canto a canto. Quando o soldado gritou "À vontade!" em mandarim, o nosso regimento de prisioneiros congelou. Ordenou-nos que ficássemos paradas. Isso poderia durar meia hora, como uma hora inteira ou até mais. Quando acontecia, as nossas pernas começavam a formigar com alfinetes e agulhas. Os nossos corpos, ainda quentes e inquietos, lutavam para não balancear sob calor húmido. Podíamos sentir o nosso próprio hálito fétido. Ofegávamos como gado. Às vezes, uma de nós desmaiava. Se não voltasse a si, um dos guardas colocá-la-ia de pé, esbofeteando-a para que acordasse. Se desmaiasse de novo, arrastá-la-ia para fora da sala e nunca mais a veríamos. Sempre. No início, isso chocou-me, mas agora estava acostumada. Acostumamo-nos a qualquer a qualquer coisa, até mesmo ao terror."


Vinha aqui reclamar sobre qualquer coisa que, entretanto, esqueci.

às 10:26
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