sexta-feira, 20 de março de 2026


Caminhar por entre raízes secretas, tateando paredes vivas que sopram verbos antigos, cada sílaba estilhaçada em pó dourado antes de tocar o chão. E nesse estremecimento, pressentir a faísca que acende o fogo e alarma as horas que morrem sem testemunhas, cinza de incensos extintos, vestígios de altar onde ninguém ora. Sigo por dentro de mim, como quem desdobra um mapa inscrito na pele. Esbatem-se fronteiras, fogem-me as linhas na verticalidade do eu. Eu, um ponto sem margem.