quinta-feira, 15 de abril de 2021

Cofres, Almanaques e, calhando, Unicórnios

Andei quatro anos obcecada (nem tanto) com a personagem que ocupou o cargo de Presidente dos EUA até há poucos meses e quase tinha esquecido que temos por cá uma criatura igualmente fascinante.

É preciso coragem para entrevistar José Sócrates. Se não por mais nada, por isso: honra seja feita a José Alberto Carvalho. Conseguiu manter a compostura, fez o que pôde para confrontar Sócrates com factos e, apesar de constantemente interrompido – como convém fazer quando sabemos que a nossa história tresanda e que insistir histericamente no isso não é verdade já passou um bocadinho das marcas –, fez muito bem em manter-se calado algumas das vezes. Entre a falta de educação de mandar calar um idiota e a crueldade de deixá-lo prosseguir, há, evidentemente (só que não), uma escolha difícil de se fazer. Com Sócrates, a crueldade justifica-se sempre.

Se não se desse o caso de estarmos perante um ex-primeiro-ministro do nosso esfrangalhado país, acho, até, que José Sócrates devia ser convidado a dar uma entrevista por dia, durante vários dias. É absolutamente espantoso o que ali se viu e ouviu. Houve um momento em que achei que o homem ia agarrar num lenço e começar a chorar, só para tornar tudo um nadinha mais dramático.

Alguém que escreva um livro. Outro livro.

Entretanto, já tentei – por três vezes – ouvir as tais três horas, mais coisa menos coisa, da leitura da decisão instrutória do juiz Ivo Rosa. Das três vezes, adormeci antes da meia hora. Mas juro que vou conseguir. Enquanto não, vou andando com a lupinha lá no pdf das quase sete mil páginas, à procura dos pontos quentes. 

E a ideia de criar e assinar uma petição para excomungar Ivo Rosa é absurda.