Ai, mi barbie, y esa cara más guapa…
À porta do Alcázar a cigana oferece-me um raminho de alecrim; quer ler-me a mão, presumir sobre o advir. Tem as mãos grossas, telúricas, não quero que toque nas minhas; não quero o raminho de alecrim; sobretudo não quero previsões ou antevisões que distorçam os meus momentos de paz. Dois mil e vinte e seis já me esmurrou. Além disso, daí a poucos dias vou regressar ao mundo dos vivos para saber que morreu Brigitte Bardot (e Deus criou a mulher para criar a Brigitte Bardot), que os EUA sequestraram a Venezuela – ou o demiurgo Donald Trump sequestrou o ditador Nicolás Maduro, o que não me parece muito diferente –; que aquela América se tornou um Estado semi-terrorista, que caça imigrantes e mata activistas com a graça do presidente; que, em Portugal, pelo menos mais duas pessoas morreram à espera do socorro do INEM, mas a ministra não pediu nem pede para sair e outro ministro, o primeiro, indigna-se à vermelhidão pela defesa da dama: saber do futuro para quê? Parei o tempo por uma causa maior: ficar onde estava, embrulhada no que me restava de ausência, sem desejo de ouvir o que teria a cigana para me contar.
Mas, por teimosia, Bom 2026...