Em
vez de comentadores e analistas políticos, especialistas em geopolítica e
geoestratégia, contratem psicanalistas. É doloroso ouvir tanta sumidade
empenhada em dar forma e sentido aos humores de Donald Trump. Vá lá saber-se
porquê – e talvez a psicanálise explique – os EUA escolheram, toleram e veneram
(não sei até que ponto é credível a “baixa popularidade”), um homem doentiamente
egocêntrico, velhaco, estúpido, para seu presidente.
A
administração Trump não tem uma estratégia: vive pela velha máxima manda quem
pode, os homens comparando o tamanho dos mísseis e as mulheres tuninficadas
para exposição. Tentar encontrar um racional naquilo é como procurar a arquitectura
de um terramoto; podemos descrever os efeitos, medir a intensidade, rastrear
as consequências, mas não é um jogo de xadrez, é uma feira de vaidades decadentes,
ressentimento, um prazer quase erótico em ver o mundo reagir, ruir, ajoelhar.