"Se
não formos capazes de viver inteiramente como pessoas, ao menos façamos tudo
para não viver inteiramente como animais,"
Mas, se calhar, podíamos. Os animais matam sem prazer, sem metáforas. A sua crueldade é rigorosa e funcional, não mente e não pede absolvição. É a nossa superioridade que nos torna maléficos, afinal.
Há
uma violência muito particular em retirar às pessoas as palavras que as ajudam
a nomear o mundo. Deixar fermentar uma cegueira sem cor, insidiosa e lenta como
um bolor. Carnívora.