domingo, 12 de abril de 2026

Breviário

Ser paciente com tudo o que ainda repousa na sombra. 

Percorrer quartos fechados e jardins onde a luz hesita antes de pousar. 

Não forçar as portas que o tempo não abriu. 

Não violentar a quietude da clausura. 

Ouvir o rumorejar antigo das marés que se adentram na memória, arrastando os detritos dos sonhos que não tenho.

Tactear paredes vivas que sopram os nomes que habitam em mim.

Caminhar sobre raízes secretas.

Pressentir a faísca que acende o fogo e alarma as horas que morrem sem testemunhas.

Desdobrar um mapa inscrito na pele.

Vestígios de um altar onde ninguém ora.