"Vai-te,
dia maldito;
guarda
sob as pálpebras de gesso o olhar de lobo que melhor me esquece;
caminha
sobre mim com passo selvagem, simulando um deserto entre fome e sede,
para
que todos creiam que não estou,
que
sou um sinal de despedida sobre as pedras;
fecha
de par em par, longe de mim, as tuas faces sem crueldade e sem misericórdia,
como
se fosse já a invulnerável,
aquela
que sem pena pode provar os gestos dos outros;
e
deita-te a adormecer, debaixo da lona cega dos séculos,
o
sonho em que me lançaste de ontem para amanhã:
esta
geada que percorre a minha cara.
Ainda
assim, hei-de chegar contigo.
Ainda
assim, hás-de ressuscitar comigo entre os mortos."
Olga Orozco