quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Senilidade e Bom Senso

Dizem que Donald Trump está senil. Não faço ideia. Para mim, é apenas um traste, com todos os apensos: narcisista patológico, ridiculamente vingativo, doentiamente invejoso, quase psicopata e, não acumulasse com uma cobardia soez, perfeitamente capaz de arrancar a cabeça a alguém por puro prazer. Senil estava (ou está) Joe Biden de uma forma, simultaneamente, mais evidente e mais moderada; talvez a senilidade seja menos compassiva com os mais canalhas. Podíamos pensar que os EUA estão há cinco anos, pelo menos, a mando de dois perturbados mentais, mas, provavelmente, erraríamos por defeito. E eu simpatizo com Biden.

Não devia, mas espanta-me que quem se diz democrata possa apoiar tão fervorosamente alguém como Donald Trump; ou, a propósito, alguém como André Ventura, com as devidas distâncias, porque até para ser traste se impõem certos pergaminhos que, por muito que ensaie e tente, Ventura não tem. Quase percebo melhor quem presta reverência ao presidente dos EUA: se a ideia é corromper, subverter a ordem vigente, prefira-se o original. Mas não se digam democratas. Também não sinto a minha democracia particularmente violentada pelo facto de Luís Montenegro recusar dizer se apoia ou não a candidatura de José Seguro a Presidente desta despedaçada República: o que seria, além de tudo o resto, andar mais duas ou três semanas a ouvir o líder espiritual do Chega a vangloriar-se de ter o país inteiro ou quase contra si, na pessoa do primeiro-ministro. Dispenso. Para mim a escolha é muito fácil: se é de nojo que se trata, o socialismo de José Seguro enoja-me menos.