Lembro-me
de ser miúda e deslumbrada com a patinagem artística. Ficava maravilhada com
aquela dança sobre gelo, tão ágil, aparentemente tão fácil, e sofria horrores
quando via cair alguém; doía-me na alma de menina. Sobretudo, achava espantoso
que, depois de tanto rodopiar, fossem capazes de manter o mínimo de equilíbrio,
quanto mais seguir inteiros, deslizando elegantemente sobre o gelo. Às vezes
tentava eu, rodopiar no chão da sala, e acabava enjoadíssima. Momento angular
para totós.
O meu
filho chama-me para ver o duo Miura-Kihara. Quero saber se já acabaram. Continua
a custar-me vê-los cair…
–
És tão estranha, mamã…
Não sou?