Os
iranianos estão a enterrar os seus mortos entre danças e música pop. Choram os
familiares abatidos às ordens do líder supremo Ali Khamenei celebrando e homenageando a vida, não a morte, numa manifestação de resistência continuada e rebeldia, depois de pagarem, em muitos casos,
pequenas fortunas para resgatar os corpos. Desafiam a lógica perversa do poder
teocrático daquele regime brutalmente destrutivo; rejeitam, com uma coragem que
ultrapassa o heroísmo, transcendental, uma moralidade castradora que instiga o
medo e exige a submissão dos cordeiros, de Deus nenhum. Gente brava – ou louca,
às vezes, não se distingue bem – para quem a sobrevivência é do domínio da metafísica;
o corpo é a expressão primeira e última do território de liberdade. Impossível não admirar. Não sei se
seria capaz…