quarta-feira, 15 de abril de 2026


Há noites em que a noite cheira a mar. Depois do céu todo o dia barrento, arenoso e baço, as gaivotas voam em círculos excêntricos, evaporando-se de encontro ao pôr-do-sol, sumindo-se em gritos estrídulos. Conjurando agoiros. E o cheiro a mar vai subindo de mansinho como um nevoeiro invertido até encharcar a noite. É um instante até deixar-se pousar na minha pele.