Ainda não digeri a história sinistra dos dois meninos vendados e abandonados pela mãe e por um suposto padrasto, enganados a pretexto de uma brincadeira inocente. Como, porquê, como foram capazes – a mãe, principalmente, obviamente – são perguntas impossíveis de responder, porque é impossível procurar racionalidade na maldade de que somos capazes. Não havendo castigos divinos, confie-se na justiça dos homens, e que seja implacável.
À parte o circo mediático do costume – com o desfile de psicólogos, advogados, agentes da autoridade e por aí adiante, o pai que estava a caminho, que já tinha chegado, que, afinal, continua a dois mil e qualquer coisa quilómetros de distância – comove-me sempre a comoção e bondade do homem que encontrou os meninos, a sorte que tiveram no meio daquela desgraça.