Os pais foram imprudentes, há que dar razão ao ministro Fernando Alexandre. Quem se lembraria de marcar férias para o período imediatamente a seguir à data termo da segunda fase de exames nacionais, data essa que costuma sofrer alterações em plena época parece que nunca; confiar nos organismos que zelam pelo bom funcionamento do sistema de avaliação desta (e nesta) fase crucial para o percurso académico dos filhos; esquecerem-se de que há, em várias áreas, um amadorismo e uma incompetência crónicos que a nossa capacidade de desenrasque quase genética (a par da boa vontade e do profissionalismo de outros, na contenção de danos) vai disfarçando, mas que não deixa de ser um remendo que cede ao primeiro esforço? Imprudentes, sem dúvida.
Já o ministro e a sua equipa preveniram tudo e dispensaram a prudência de testar a eficácia do processo se aplicado, não a um único exame – o de Filosofia, no ano passado, com problemas muito semelhantes ao deste ano, mas uma experiência muito positiva –, mas a todos os exames nacionais do ensino secundário.
Que os alunos corram sério risco de ver o seu trabalho comprometido e, com isso, também o acesso ao curso que escolhem é coisa que parece não apoquentar o ministro da Educação. Que pais, alunos e professores tenham de alterar as suas férias, suportar os prejuízos que daí decorrerão, financeiros inclusive, tampouco.
Entretanto, a plataforma do IAVE está em manutenção até às 15 horas de hoje, se Deus quiser. Se tudo correr pior, o diabo insistir em tecê-las pelo intrincado dos labirintos informáticos, talvez nem a correcção em papel seja já viável.
Estamos tão passivamente conformados com isto que, por imprudência, ainda me espanto.