Um
clarão dourado, primitivo, pousado sobre a palidez da pele. Velar tudo o que
nela persiste de morte. O êxtase consagrado ascendendo em espirais, sem nunca
encontrar um porto, sem nunca encontrar paz. Há um instante suspenso onde o
beijo pertence a tempo nenhum, e o corpo que se torna templo, labirinto e
abismo. Braços esguios como ramos, frisos caleidoscópicos no contra-azul do
céu, e raízes febris bebendo o esquecimento no osso da terra. A beleza veste-se
de uma obstinação pregueada para que nenhum olhar suspeite da sua avidez. Sob a
sua opulência a sombra espreita e espera, mordendo em sangue a própria
eternidade. Gosto.