sexta-feira, 17 de julho de 2026


Um clarão dourado, primitivo, pousado sobre a palidez da pele. Velar tudo o que nela persiste de morte. O êxtase consagrado ascendendo em espirais, sem nunca encontrar um porto, sem nunca encontrar paz. Há um instante suspenso onde o beijo pertence a tempo nenhum, e o corpo que se torna templo, labirinto e abismo. Braços esguios como ramos, frisos caleidoscópicos no contra-azul do céu, e raízes febris bebendo o esquecimento no osso da terra. A beleza veste-se de uma obstinação pregueada para que nenhum olhar suspeite da sua avidez. Sob a sua opulência a sombra espreita e espera, mordendo em sangue a própria eternidade. Gosto.