domingo, 25 de outubro de 2026


Gosto desta mudança de hora. A ilusão de atrasar o tempo, até que a próxima Primavera mo reclame. Sem relógios mecânicos não se dá por nada – os dispositivos modernos, cada vez mais espertos, encarregam-se dos alinhamentos e acertos e livram-nos das chatices de. Mas eu tenho relógios de pulso, relógios relógios, que medem nada mais que um tempo imperfeito e limpo, sem histórico nem semiologia. Gosto de os acertar e esta é a hora de que mais gosto. Preciso deste tempo quieto, de anoiteceres precoces, que emudece as ruas e me devolve a respiração lenta do mundo que é meu. Gosto de sol, mas não tanto do sol de Verão. A luz de Outono é mais minha, no seu dourado líquido e demorado, desenhando, sem pressa, a paisagem nos seus novos detalhes. Também é o tempo perfeito para grandes caminhadas. Não há cores nem céus como os de Outono. Respira-se a terra, na sua anatomia cromatográfica. Melancólico porquê?