O ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben-Gvir, quer crocodilos do Nilo a patrulhar uns fossos escavados numa prisão de alta segurança do país, onde estão alguns dos palestinianos presos na sequência do infame 7 de Outubro. A proposta, dizem, foi aceite pelos serviços prisionais e aprovada no parlamento. Valeram aos prisioneiros, perdão, aos crocodilos, as organizações ambientalistas e pelos direitos dos bichos, e a Let the Animals Live – todos os animais são iguais, mas uns são mais animais do que outros – conseguiu que o Tribunal Distrital de Jerusalém bloqueasse, para já, o plano de Ben-Gvir, a bem dos crocodilos e dos funcionários da prisão. Prisioneiros em fuga devorados por mandíbulas pré-históricas não constam, que se saiba, das preocupações cautelares.
Há tempos, uma conversa sobre a desumanidade de salvar um cão em vez de um homem provocou uma enorme comoção. Depende da pessoa, depende do cão, esse era o escândalo, possivelmente um crime. Confesso em voz alta que se, por absurdo, tivesse de escolher entre salvar o meu cão ou um Donald Trump (já agora, um Ben-Gvir), preferiria o meu cão; o meu filho, quem, aparentemente, não eduquei com devida sensatez, diz que até podia ser um cão qualquer. Ninguém tinha ainda posto a hipótese de salvar crocodilos e, com isso, salvar uns homens.