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quinta-feira, 23 de julho de 2026

Ontem à noite, a RTP1 passou o concerto que os Trovante deram na Meo Arena, no passado Março. Estive para ir e não fui. Este ano tenho tentado e aproveitado, muito, concertos, teatro, orquestra, mas Março foi um mês difícil e, já não sei porquê, deixei passar. Tinha tempo. Não sabia que o Luís não tinha. Não sabia nada da doença, mas, agora, vendo-o ali, percebe-se a fragilidade; até na voz. Ainda assim, parece impossível; estávamos em Março, passaram quatro meses.

Foi bom, o concerto. É quase inócuo na televisão, mas a alegria em palco era visível, vibrante. Viver tudo numa noite já seria a metáfora perfeita para o reencontro; de repente, é como se o verso ganhasse a espessura crua, intimamente lúcida da despedida.



quarta-feira, 22 de julho de 2026

Luís Represas

 Para Ti, Mãe, Para Ti, Pai



Sete ondas se noivaram
Ao luar de sete praias
Sete punhais se afiaram
Menina das sete saias

Sete estrelas se apagaram
Sete-que-pena chorai-as
Sete segredos contaram menina das sete saias

Sete bocas se calaram
Com sete beijos beijai-as
Sete mortes evitaram menina das sete saias

Sete bruxas se encontraram
No monte das sete olaias
Sete vassouras montaram menina das sete saias

Sete faunos contrataram
Sete cornos e zagaias aos sete encomendaram
Menina das sete saias

Sete princesas toparam
Com mais sete lindas aias
Por sete e sete deixaram
Menina das sete saias

Sete danças que bailaram
Sete vezes que desmaias
Sete luas te ansiaram menina das sete saias

Sete vezes se encantaram
No bosque das sete faias
Sete sonhos desfolharam
Menina das sete saias