segunda-feira, 17 de outubro de 2022
domingo, 16 de outubro de 2022
"Colho esta luz solar à minha volta,
No meu prisma a disperso e recomponho:
Rumor de sete cores, silêncio branco.
Como flechas disparadas do seu arco,
Do violeta ao vermelho percorremos
O inteiro espaço que aberto no suspiro
Se remata convulso em grito rouco.
Depois todo o rumor se reconverte,
Tornam as cores ao prisma que define,
À luz solar de ti e ao silêncio."
José Saramago
quinta-feira, 13 de outubro de 2022
Liberdade de Expressão
Alex Jones – que, provavelmente, dispensa apresentações – foi condenado ao pagamento de 965 milhões de dólares em indemnizações “às famílias de Sandy Hook”. Segundo a sua muito livre capacidade de ver o mundo de acordo com a teoria mais proveitosa a cada passo – essa liberdade com direito absoluto sobre qualquer contrariedade, e a verdade, como se vai sabendo, é o que um homem quiser –, o tiroteio na escola primária de Sandy Hook, em 2012, não ocorreu como foi noticiado. Aliás, não ocorreu de todo: tratou-se apenas de uma farsa, um elaboradíssimo plano para retirar as armas às pessoas que gostam muito de possuir armas. As famílias que vimos chorar os seus mortos – vinte dos quais, crianças – eram meros actores.
Durante
anos, Jones alimentou uma história escabrosa sob a forma de informação e
ganhou dinheiro, muito dinheiro, à custa do sofrimento inimaginável daqueles
pais e mães que, depois do horror, ainda foram obrigados a lidar com a seita de
fanáticos que lhe presta culto: ameaças de morte, ameaças de violação, um tarado qualquer que urinou na campa de uma das crianças mortas.
Há
gente capaz de desenterrar o pior que há em mim. Não é bem desejar-lhes a
morte, não desejo a morte de ninguém e a morte pode ser o fim, mas não é,
seguramente, o mais terrível. O que desejo pode ser impronunciável.
terça-feira, 11 de outubro de 2022
segunda-feira, 10 de outubro de 2022
quarta-feira, 5 de outubro de 2022
terça-feira, 4 de outubro de 2022
Coisas realmente estranhas
Não sei bem o que é um NFT. Non-fungible tokens, certo, mas não passo daí; e não gosto da palavra “fungible”, nem na sua versão portuguesa.
Já houve quem me
tentasse com uma explicação simples da coisa, aquilo do como se eu tivesse
cinco anos, mas a minha razão tem razões que só a própria reconhece.
Na versão mais ousada e abusada do espantoso fenómeno, um milionário mexicano ou americano, Mobarak de seu nome (é quase engraçado), resolveu queimar o quadro Fantasmones Siniestros, e, assim, operar uma transição permanente para Metaverso da pintura de Frida Kahlo; ou, agora, 10 mil pedacinhos de criptoarte.
A queima foi cerimoniosa, num elegante copo de Martini cheio de pedrinhas azuis, com público e banda sonora apropriada, canta y no llores, anda, que é só um quadro. O dinheiro servirá a caridade.
Dizem-me que já aconteceu o mesmo ao Fumeur V, de Picasso. Pode ser. Não entendo na mesma, e custa-me a crer que os originais sejam mesmo originais.
Nada disto interessa muito, mas o que interessa muito não anda melhor.