quinta-feira, 30 de julho de 2026

Um prestigiado director da PJ

Luís Neves era alguém cuja imagem pública assentava na exigência ética na investigação e combate à corrupção, ao crime económico-financeiro, ao tráfico de droga e ao terrorismo. O próprio fez questão de o lembrar. As explicações que apresentou naquela conferência de imprensa são incompatíveis com essa imagem. O caso do atrelado é o exemplo mais alarmante. Um bem apreendido numa operação antidroga, com produtos químicos potencialmente perigosos, exige regras e cuidados que vão muito além das questões de tesouraria – chamar-lhe um "acto de extraordinária gestão" é uma tentativa arrogante, no mínimo, de desviar a atenção da gravidade daquela decisão. Mesmo sem benefício pessoal provado – vamos acreditar que João Carvalho teve um acto de extraordinária caridade –, o que está também em causa é a quebra de um padrão de procedimentos que o próprio cargo exigia que se mantivesse. Inacreditável, tudo isto.