domingo, 17 de julho de 2022


 


sábado, 16 de julho de 2022

Educação, quem sabe se Cidadania



Ken Robinson morreu há cerca de dois anos. Não fazia ideia. Nunca li nada dele, e acho que é uma falha grave.

Vale mesmo a pena ver e ouvir. É intemporal. Até por quem não quer saber nada de educação. O receio de errar, a estigmatização do erro, o papel da escola e um modelo de ensino obsoleto num mundo em revolução acelerada – uma discussão interessante, necessária, urgente. “Os miúdos arriscam. Se não sabem, tentam; não receiam estar errados. Se não estivermos preparados para errar, nunca conseguiremos nada de original. Quando chegam a adultos, a maior parte das crianças já perdeu essa capacidade.”

Agradar-me-ia a ideia de substituir aulas de Cidadania, por exemplo, por aulas de Dança, ou Teatro, ou Pintura. Escrita Criativa, fala-se tanto (e ensina-se e cobra-se) de escrita criativa. Digo "aulas de Cidadania" porque sou das Ciências, não estou preparada para mudanças mais radicais, padeço, suponho, desse mal que denuncia Robinson, com sobriedade e muito humor simultaneamente (a história da peça de Natal é deliciosa), a importância desmesurada (às vezes arrogante, reconheço) das Ciências no ensino. E quem sabe se não se teria evitado aquela paródia entre a birra dos famosos pais de Famalicão e a “solução” mirabolante apontada pelo Ministério Público. Só é cómico, e não trágico, porque  como não se sabe ainda mas já se adivinha – os miúdos vão acabar por acabar um doutoramento ao fim de sucessivas "progressões condicionadas", e, com sorte, cairá tudo num esquecimento benigno para quase todas as partes. Felizmente, não tem havido mais pais daqueles; parece haver pouca gente disponível para repetir o embuste à custa da instrumentalização dos filhos.

O resto da actualidade ainda não me apetece.


quarta-feira, 29 de junho de 2022

“Ouve a luz

Como ainda tem o sabor das algas


Deixei-lhe escrito um recado

Das nuvens


Não te esqueças de ouvir a luz


Não te esqueças que ao sol pôr

Também eu morro


Não te esqueças

 

Daniel Faria



terça-feira, 28 de junho de 2022



Continua a ser uma das melhores músicas dos Xutos. 

Não tenho medo de envelhecer. Tenho medo de não saber envelhecer assim, como algumas das minhas músicas. Hoje é esta. Acordei, e estava lá.


sábado, 25 de junho de 2022


Ordo Ab Chao 

quarta-feira, 22 de junho de 2022

Sou escrava do meu trabalho. Sou totalmente escrava do meu trabalho. Os últimos dois meses em particular têm sido uma loucura de que dou conta a pouca gente porque é coisa realmente indecente, o número de horas que cumpro escrupulosamente mergulhada em coisas chatas, e fórmulas e leis e contas e reactores e reagentes, números reais, outros imaginários, e que só não se tornam insuportáveis porque, um, adoro o que faço (provavelmente, porque não sei fazer outra coisa), dois, não tenho chefe (ou tenho, mas sou eu mesma, logo, aturamo-nos razoavelmente bem na maior parte dos dias), três, quando acabar, se não me acabar, tenho os dias de férias que mereço e alguns dos que não mereço também, quatro, entre todas as outras coisas imprescindíveis à vida que vale a pena ser vivida, pelo menos daquelas coisas que o dinheiro pode comprar, é o meu trabalho que me permite viajar. E eu preciso de viajar.

domingo, 19 de junho de 2022

A menina de cabelos de ouro claro, tranças longas de Rapunzel, sabe de cor todas as letras de Liam Gallagher. Dá-me pelos joelhos, pouco mais. É maravilhosa. Ainda há fãs de Oasis no público? Como assim, ainda há fãs de Oasis no público? Já não havia Oasis há anos quando a Rapunzel nasceu e a Rapunzel canta Wonderwall como quem canta uma canção de embalar. Liam Gallagher pode tê-la odiado, enjoado, o que seja: continua a ser uma bela canção.

Depois há, e houve, Muse. Adoro Muse. É oficial. Não sou fiel, não são os únicos, mas adoro-os. Apostei que não chovia. Choveu. Se não fosse porque não me sobrou pedaço de pele ou de roupa secos, nem tinha dado por isso.




sexta-feira, 17 de junho de 2022



Perguntem-lhe com bons modos. Vá lá...

Aquela amiga que me lamenta porque não tenho Twitter envia-me, de tempos a tempos, pequenos pedaços daquele outro admirável mundo – para me tentar, digo eu, para me mostrar o que ando a perder, diz ela.

Há dias (há mutíssimos dias, mas lembrei-me ontem a propósito de uma conversa com outros amigos), enviou-me uma conversa fantástica: “- Escribe una historia triste usando solo tres palabras; - Santiago Calatrava, arquitecto. Em Espanha precisam de saber quão detestada é a gare do Oriente em Lisboa”. Qualquer coisa assim. Muito bom. Temos um cardápio guloso, inesgotável, de histórias tristes; com menos palavras ainda. Falência do Estado usando apenas duas: José Sócrates. E podemos substituí-las sem comprometer o guião, sem subverter o enredo: Joe Berardo; Ricardo Salgado, e por aí adiante, entre os vivos e os mortos. Se calhar não vale, é batota aquilo das duas palavras apenas. Parece mais uma espécie de “Ocean’s Eleven” sem o glamour de outros patifes. Não se pode ter tudo, mas temos uma parte. Temos o George Clooney, é verdade; dizem as más-línguas que numa espécie de assalto às melhores praias da nossa costa, sob a forma de grande empreendimento turístico para português ver de longe. Em qualquer caso, o casino somos nós. Não sei se dá outro bom filme, mas, a vida de José Sócrates dava, seguramente, um bom livro. Alguém o escreva antes da minha morte. Não é seguro que se regresse, e eu gostava mesmo de saber a história toda.

quinta-feira, 16 de junho de 2022

Também eu precisava de falar-te ao ouvido. Contar-te, em segredo, das crateras lavradas de sombra onde me ausento e me demoro. O teu nome no meu nome. Também ardem, os nomes? É teu o rosto que soletro. Às vezes. Na ponta dos dedos. E teu o corpo que guia o meu corpo. São tuas as mãos que me desenham e adivinham. Sem urgência. Lenta e demoradamente. Num instante, tudo se desfaz. Mas eu não quero, não deixo, não consinto. É verdade, era mais fácil quando tudo era nada. Só se é como era uma vez.