segunda-feira, 16 de julho de 2018

Redes Sociais: Use com Moderação

Um dos mergulhadores ingleses que participou nas operações de resgate dos doze meninos tailandeses e do seu treinador sugeriu que Elon Musk podia “stick his submarine where it hurts”, que é como quem diz, ele que enfie o submarino onde lhe doer. Fantástico, não é? A brilhante tirada vinha na sequência – em declarações à imprensa – de uma pergunta sobre qual teria sido exactamente a intenção do CEO da SpaceX ao enviar o “mini-submarino” para Mae Sai. Na opinião do mergulhador, o mini-submarino não tinha qualquer hipótese de funcionar como opção de recurso ao salvamento e Musk, por sua vez, não teria qualquer noção das características da gruta no que toca aos percursos a realizar. Não estando em causa a perícia dos mergulhadores – e daquele, em particular – para criticar a fiabilidade das soluções apresentadas por outros, mandava o bom senso que não se caísse na brejeirice. Digo eu, que estou bastante desactualizada nestas coisas.

Se um foi pouco elegante, a resposta do outro não ficou atrás e, recorrendo ao Twitter, Elon Musk acusou de pedofilia, nem mais nem menos!, o mergulhador inglês, de seu nome, Vernon Unsworth. E, claro está, sem fundamentar a acusação pois para isso é que a malta quer as redes sociais. Lógica? Da mais simples: Unsworth vive na Tailândia, a Tailândia tem um dramático problema de prostituição infantil, logo, Unsworth é pedófilo! Assim, uma espécie de tabela de verdade que só é “verdade” na ligeireza do bullying virtual que permite amigar e desamigar, bajular e insultar, dizer e desdizer de forma, aparentemente, tão apaixonada quanto inconsequente.

Eu acho que as redes sociais deveriam apresentar um alerta, assim ao estilo dos maços de tabaco: “a utilização de forma estúpida prejudica gravemente a sua saúde e a dos que o rodeiam”, ou, “descarregar baboseiras-barra-insultos nas redes sociais pode provocar a morte lenta e dolorosa da sua inteligência”.

É inacreditável como pessoas adultas e, supostamente, dotadas de algum discernimento, com provas dadas de competência em diferentes áreas, podem chegar a ser tão básicas.

Quando o meu filho era mais pequenino, perguntava-me muitas vezes “mamã, os adultos também fazem disparates?”. A inocência das crianças é algo delicioso; mas, olhando para o lado positivo da coisa, sempre podemos usar o seu valor pedagógico…

"Fake You"

Donald Trump voltou a ser Donald Trump. Depois das histéricas ameaças à NATO, depois dos insultos mais ou menos velados a Theresa May, depois dos disse-e-não-disse travestidos de fake news – tão caras ao próprio – o presidente dos EUA destratou, com pompa e circunstância, a rainha Isabel II.

Pessoalmente, não me incomoda muito que um homem rude, malcriado e estilo arruaceiro de esquina mal frequentada atropele protocolos monárquicos e, pelo meio, sua alteza a rainha-mãe. Não tenho qualquer afinidade com a monarquia, em nenhuma das suas vertentes. Mas, choca-me profundamente que um brutamontes desrespeite, ostensivamente e para o mundo inteiro ver, uma senhora de 92 anos e, ainda mais, sendo seu convidado.   

No entretanto, Donald Trump anunciou que será candidato a um segundo mandato como presidente da América, porque não vislumbra nenhum democrata capaz de lhe fazer frente. É natural. É sempre difícil argumentar com lunáticos. Mais ainda, com lunáticos que são, ao mesmo tempo, mentirosos compulsivos e candidatos brilhantes ao prémio de melhor bully do ano. Se fiquei absolutamente pasmada com a primeira eleição deste homem, já não me espantaria que voltasse a arrebatar a presidência dos EUA. Afinal, muitas são as críticas que lhe tecem, mas, a verdade é que o estilo vai colhendo frutos…

terça-feira, 10 de julho de 2018

O Milagre da Vontade

"Há uma força motriz mais poderosa que o vapor, a electricidade e a energia atómica: a vontade." É uma das minhas frases preferidas. Se dúvidas houvesse quanto à convicção de Albert Einstein, bastava ter estado com os olhos postos nestas treze crianças tailandesas e no seu treinador, nestes últimos dias. E, também, naqueles que se disponibilizaram a ajudá-los.

Contra (quase) todas as expectativas, todos os peritos, todas as opiniões fundamentadas na técnica e na experiência e muitos outros eteceteras, um grupo de pessoas fantásticas protagonizou uma história que tem tanto de assustadora como de electrizante. Porque os “milagres” fazem-se, precisamente, da vontade de todos aqueles que se envolvem de corpo e alma nas tarefas a que se propõem. "Algo só é impossível até que alguém duvide e prove o contrário", terá dito, também, o génio.

Não sei se os meninos e o seu treinador aprenderam ou não a mergulhar, se saíram em macas, se terão sido ou não sedados ou outro tanto de coisas que se disseram nos meios de comunicação social. Mas sei que todos os especialistas, entre psicólogos, mergulhadores e outros técnicos competentes, chamados a dar os seus profissionais pareceres, foram unânimes nas enormes dúvidas em relação ao sucesso desta operação. Esqueceram-se dessa tremenda vontade que molda a alma dos que acreditam e se alimentam desse querer.

Tal como outras vezes, a realidade superou a ficção, mas, desta vez, na forma de um final admiravelmente feliz.

Ao  milagre do resgate, some-se a tremenda onda de solidariedade dos que se juntaram para apoiar as equipas de resgate, os jornalistas e as famílias dos meninos. Numa história feita de coragem, resiliência, persistência, competência e perseverança, a mulher do presidente da câmara de Mae Sai – que é presidente da Cruz Vermelha local – mostrou o que é o verdadeiro serviço público: fez uma “vaquinha” com os elementos da sua equipa e, com dinheiro pessoal, compraram os primeiros mantimentos e começaram a preparar as primeiras refeições. Antes de estar tudo mais organizado. Qualquer semelhança com a realidade de alguns é pura coincidência. Mas, também, tudo nesta história é maravilhosamente inacreditável. 

Seguramente, os sorrisos e a alegria das crianças e das suas famílias estarão também com aquele outro herói que perdeu a vida para ajudar a salvar as suas.

quinta-feira, 28 de junho de 2018

Os políticos não são "tutti" iguais... ou são?

Não sei se os políticos são todos  iguais, mas que parecem, lá isso, parecem. Mas, nós, portugueses, também parecemos ter exactamente os políticos que merecemos. Lembremo-nos, sempre!, quem é o actual presidente da câmara de Oeiras e quem é que o elegeu. Recordemos Fátima Felgueiras. Deixemos assentar a poeira e, quiçá, José Sócrates ainda é capaz de chegar a Presidente desta bela República. Nunca fiando…

Indignamo-nos com as cores dos cadernos para meninos e meninas, vociferamos contra anúncios anti-tabaco machistas e de gosto duvidoso, mas convivemos mais ou menos bem com viagens pagas a deputados e duplicação de subsídios ou ajudas de custo. Condenamos os pais que dão falsas moradas para inscrever os filhos nas melhores escolas públicas, mas encolhemos os ombros quando os nossos deputados alteram as suas próprias moradas de forma a amealhar mais umas dezenazitas de euros mensais (até nisso somos pobres…). Revoltamo-nos contra os professores, esse bando de indolentes e incompetentes, mas pouco nos importa o vergonhoso nível de absentismo e a gritante ignorância de alguns dos nossos representes no Parlamento.

Num país de bem, quem foge à justiça, quem deve ao fisco, quem não cumpre os mais básicos deveres de cidadania não pode, legalmente, com a maior arrogância e impunidade, candidatar-se a cargos políticos. E quem exerce cargos políticos, pagos com os impostos dos que trabalham e não vivem dos favores do Estado, não pode escudar-se em contorcionismos linguísticos e pseudointelectuais, para justificar o que, podendo não ser ilegal, é, seguramente, imoral e antiético. Como é que justificava, Carlos César, o seu alegado direito à duplicação de pagamento das suas viagens de e para os Açores? Ah, não é duplicação… A magia das palavras! E- obviamente, não comparando o que não é comparável- não vem mal ao mundo (pelo menos, a Portugal) se um primeiro-ministro vive à custa de um grande e rico amigo. São só invejas e maledicências grosseiras, de quem também quer, mas não pode.

A verdade é que ninguém parece ter muita vontade ou coragem para mexer nas mordomias estabelecidas. O povo é pouco exigente e só tem pena de não conhecer ninguém numa câmara, numa junta de freguesia, numa associação, enfim, num qualquer organismozito que não esteja já lotado de primos, tios, esposas, esposos, filhos e filhas, noras, genros, ascendentes e descendentes e demais in laws. Lá diz o ditado, cão que ladra não morde e, digo eu, quem beneficiar de um tachinho jeitoso não estrebucha, não é?

Dificilmente se pode produzir uma sociedade mais justa, mais rica e mais digna cultivando ou tolerando a incompetência, o compadrio e a corrupção, em vez de premiar e estimar valores como o mérito, o trabalho capaz, a justiça social, o respeito pelas pessoas e pelas instituições e pelas leis que devem reger um Estado democrático e de direito. Ou isso, ou ficaremos cada vez mais à mercê de lunáticos demagogos e populistas ao estilo Donald Trump e seus aprendizes…mas isso não parece preocupar muita gente.

segunda-feira, 21 de maio de 2018

Cego, cego, não era só o amor?

Em tempos não muito distantes, palavras levava-as o vento e dos fracos não rezava a história. Mas, entretanto, chegaram as redes sociais, as palavras permaneceram contra todos os ventos e os fracos, deslumbrados, ganharam espaço e tempo de antena. De indignação em indignação, de pirraça em pirraça, de insulto em insulto, tão mais eloquente quanto mais cobardemente anónimo, ergueu-se, ali, um campo fértil para os frustrados, para os arruaceiros, para os populistas. E, evidentemente, para criminosos das mais variadas e arrepiantes dimensões, mas isso seria assunto para um outro tema e um outro texto. Um outro dia.

É evidente que as redes sociais têm coisas fantásticas, apesar de ainda haver gente, como eu, que dispensa a maioria. A evolução tecnológica, também nesta área, é indiscutível e não pode ser ignorada nem menorizada. Pelo contrário. No entanto, o foco do problema não está nas redes socias, como é óbvio. Está nos seus utilizadores. Basta ver as páginas que recebem mais likes, mais visualizações e possuem mais seguidores. Desfiar um rosário de acontecimentos da nossa vida privada- quanto mais picante e/ou atormentada, melhor- rende muito mais do que falar de temas mais sérios e, claro, muito mais entediantes e sem glamour. E, se há utilizadores mais inofensivos, que se preocupam apenas com as fofocas básicas do dia-a-dia, também há os que preferem intrigas, muito sangue, menos suor e mais lágrimas. É neste meio que pupulam os imberbes que usam as redes sociais e as caixas de comentários de algumas publicações online para vomitar ódios e aliviar, violentamente, o desencantamento emergente dos seus fracassos.

Se, nas redes sociais, é inevitável o tempo de antena que se dá aos néscios, venham de onde vierem, não deixa de me espantar a importância que a imprensa e a comunicação social lhes dedicam com quase idêntico fervor. Os ignorantes são outros, o motivo será o mesmo. Em vez dos likes são os shares e os ratings e nem a imprensa dita de referência lhes escapa.

De share em share, subindo o tom e baixando o nível, jornalistas e televisões- por arrasto, o país em peso- vive o fenómeno Bruno de Carvalho com a avidez dos abutres ao redor da carniça. Incluo, infelizmente (porque vejo regularmente), a SIC Notícias e as suas horas recentes e intermináveis de comentários e análises ad nauseam. Não, os jornalistas e as televisões não criaram o Bruno de Carvalho (ou criaram?), esse, outrora, salvador do Sporting contra tudo e todos. E, sim, os jornalistas e as televisões têm a obrigação e o dever de informar e não devem voltar as costas às notícias do dia. Mas, e que tal voltar as costas a quem os insulta e os destrata dando-se, até, ao luxo de os manter mais de uma hora e meia à espera de uma conferência de imprensa que, mais não foi, do que um monólogo enfadonho, entre a vitimização e a ameaça, a “coragem” saloia e o narcisismo imbecil? O show dos jornais debaixo do braço, com especial destaque para a “morte à nascença dos Brunos de Carvalho” é da mais absurda demagogia. Só, de facto, seres muito pouco inteligentes, profundamente demagogos ou perturbadoramente alienados (Bruno de Carvalho que escolha, é capaz de encaixar em todos) é que poderiam ver naquela frase um desejo literal da morte física de alguém. Nem é preciso ler integralmente o texto de Miguel Sousa Tavares. Basta o título da crónica. Para quem se queixa da descontextualização do seu “foi chato”, é de se lhe tirar o chapéu!

Tal como usar a família, principalmente, as filhas menores para o eterno carpir do seu omnipresente processo de vitimização.

Só mais coisa continua a espantar-me. Como é que gente como o reputado psiquiatra Daniel Sampaio, o médico-cirurgião Eduardo Barroso e muitas outras personalidades que a maioria de nós tem por sérias e inteligentes, só agora se aperceberam do calibre deste senhor. É um pouco ao estilo do “caso” Sócrates. Enquanto é útil, ninguém vê. Afinal, cego, não é só o amor.

P.S. Tão ou mais importante do que saber perder, é saber ganhar. Não sei se o Desportivo das Aves foi ou não foi um justo vencedor da Taça de Portugal. Não percebo nada de futebol e sou portista mais por, desconfio, questões genéticas do que por qualquer outra coisa. No entanto, por muita razão que tenha o treinador do Aves (e eu acho que tem alguma) e por enorme que seja o feito do seu clube, José Mota poderia ter tentado ser ainda maior. Mas compreende-se.

quarta-feira, 16 de maio de 2018

O pior cego...

Diz-se que o pior cego é aquele que não quer ver. Ontem foi um dia “chato” para o futebol português e Bruno de Carvalho está como aquele homem da anedota, que vai no carro, ouve nas notícias que há um condutor em contra-mão na auto-estrada e exclama, “porra, não é um, são muitos!”.

Bruno de Carvalho há muito que já devia ter sido corrido da presidência do Sporting. Corrido, porque, já todos percebemos, ele não vai sair pelo seu próprio pé. Está em negação absoluta. Como na canção, e na sua cabeça demente e deslumbrada, o mundo inteiro uniu-se para o tramar e tudo não passa de um “aproveitamento” (?!), de uma campanha contra o Bruno, porque Bruno é Deus, todo-poderoso, omnipresente, omnipotente, omni-eu-próprio e o meu belo umbigo.

Ontem, em Alcochete, em Portugal!, viveu-se um momento de terrível e absurdo nojo mesmo para os que se estão nas tintas para o futebol e Jaime Marta Soares tem a dizer que, se for caso disso, os órgãos sociais do Sporting reunirão na segunda-feira. O mesmo Jaime que já exigiu a demissão de Bruno de Carvalho- mas, afinal, não- por não ter condições para continuar como presidente do Sporting- mas, afinal, sim. E agora?

Se Jesus conseguir ter todos os seus principais jogadores em campo, no Jamor, no Domingo, terá operado um segundo milagre na mais recente história do clube, depois do episódio do primeiro “post” de Bruno de Carvalho após o jogo com o Atlético de Madrid. De certeza que Bruno de Carvalho é sportinguista? Eu não sou e lamento profundamente a enorme nódoa que este senhor vai deixar naquele clube. Que se vá embora e que não demore. E, se lhe for possível, sem bater com a porta, porque já fez estragos que chegue.

segunda-feira, 7 de maio de 2018

"Me engana que eu gosto..."

“Me engana que eu gosto”, ou, na versão portuguesa e de autoria de João Miguel Tavares, “O Silêncio dos Indecentes”; que deixou de ser silêncio para passar à batata quente de que todos se querem livrar porque, já se percebeu, vai rebentar na mão de muitos. E a indecência mantém-se. Numa alucinação precipitada de acontecimentos e críticas que desembocaram com a desfiliação de José Sócrates (essa figura única e irrepetível) do principal partido do Governo, eis que começam a sacudir-se muitas águas de muitos capotes. Agora, foi a vez de Fernanda Câncio. Que José Sócrates assim, que José Sócrates assado, coitadinhos de todos os que acreditámos nele que ainda acabamos todos a ser tomados por cúmplices. E nós, os outros, tomados por parvos. Outra vez! Os mesmos que, até agora, repetiam à exaustão, para defender o indefensável, que todos são inocentes até prova em contrário e que a justiça se faz nos tribunais, apressam-se na azáfama de se distanciarem o mais longe e o mais rápido possível da tempestade que aí vem. O melhor truque é fingir que não se percebeu nada de nada. Sócrates, esse mestre do engano e da dissimulação, é que a todos ludibriou, não só o país, como o partido, os amigos, as namoradas e por aí fora. Parece que, afinal, o “mau jornalismo” da SIC afectou mais gente do que se supunha. Não bradaram, tantos comentadores iluminados e sapientes, que aquelas imagens não aportavam nada de novo à investigação e contribuíam apenas para a tabloidização “pornográfica” da justiça? Pois é. Às vezes é preciso coragem para tomar uma decisão, ainda que (eventualmente) má, porque pior do que decidir mal é não decidir coisa nenhuma e fingir que não vemos o que se passa à nossa volta. Os ratos começam a abandonar o navio e a coisa não vai ser bonita de ver…

terça-feira, 17 de abril de 2018

006, Licença Para Gastar

Todos gostávamos de ter um amigo como Santos Silva! Esse fantástico e altruísta empresário bem-sucedido, homem “de posses”, pronto a abrir os cordões à bolsa ainda o amigo vai no primeiro “olha…ah…”!

Acompanhar as reportagens da SIC acerca da Operação Marquês tem sido uma espécie de tragicomédia, cá em casa. Alterou-nos a rotina dos últimos dois dias, coagindo-nos, inclusive, a descurar a sagrada hora de dormir do nosso filho. Mea culpa! Mas, até a ele, as justificações tresloucadas de Sócrates para a desmesurada e despropositada ajuda financeira do amigo Silva têm arrancado gargalhadas! É que não é preciso mais, de facto, do que a inteligência e perspicácia médias de uma criança de 11 anos, para perceber que, na vida real, não há amigos assim. Na vida real, não há “amigos” a quem possamos pedir para nos pagarem luxuosas contas correntes ao ritmo de um não-queres-passar-cá-um-bocadinho-e-trazer-aquilo-que-sabes-que-eu-gosto. Para um homem com “dificuldades económicas”, Sócrates tem, ou teve, um nível de vida de fazer inveja a muita classe média-alta por esse país fora.     

As explicações, ora embrulhadas, ora exaltadas, do ex-primeiro-ministro são de um descaramento formidável. O “Zezito” quer convencer-nos a todos que o Silva, simplesmente por desinteressada amizade e pura preocupação com o bem-estar alheio, não só estava sempre disponível para lhe emprestar qualquer quantia de dinheiro, como ainda se dispunha a acatar sugestões sobre investimentos vários, desde a compra de propriedades a obras de remodelação de exclusivos apartamentos parisienses! Mais ainda, a excelsa amizade permitia que essas sugestões chegassem via uma irritada ex-mulher do primeiro, sem que a esposa do segundo tivesse qualquer opinião sobre o assunto; eram “investimentos” do marido.

O mais assustador é que Sócrates e os seus dois magníficos advogados aparentam ter razão num ponto: não há provas-provas- dessas para lá da convicção sensata- que sustentem que, efectivamente, a famosa conta 006 seja dele e não do abnegado Carlos Santos Silva. O desassombrado trio Sócrates-Delille-Araújo socorre-se da falta de “fundamento em factos e em provas” para acusar todos os que não estão com o nosso ex-primeiro de estarem contra ele. Enquanto isso, num genial e irónico golpe de mestre, José Sócrates lá vai acusando de “manha” (diz o roto ao nú!) os procuradores, com muitos e eloquentes “oh, pá” à mistura em discursos mirabolantes que são um verdadeiro insulto à inteligência e paciência dos demais. Mas, não se enganem!, não há nada de mais perigoso e temível do que um  animal feroz ferido…


segunda-feira, 16 de abril de 2018

Diz-me que subsídios recebes, dir-te-ei que tipo de político és.

Na opinião – não sei se cínica, não sei se sábia – de um meu amigo só há dois tipos de políticos: os corruptos que ainda vão fazendo qualquer coisa pelos outros (extra-amigos-e-família, entenda-se…) e os corruptos que só fazem em prol…da sua prole. Ambos os casos, incluem fazer sempre muito por si próprios, evidentemente.

O caso (mais um!) recente da duplicação de abonos por deslocações é só mais uma obscenidade assim-assim. Nem será bem corrupção, não é? É só uma espécie de esquema. Inofensivo. O povo já nem nota. Só encolhe os ombros e, lá está, rende-se à evidência do são todos iguais. Ainda há quem se escandalize com a devoção a Isaltino, esse que também é Morais e presidente da câmara de Oeiras.

No entretanto, um deputado do BE, desses janotas das duplicações, apresentou a demissão e um pedido de desculpa por ter recibo reembolsos de viagens que não efectuou. Após “reflexão”, chegou à conclusão que “foi uma prática incorrecta”. Talvez a inspiração tenha vindo mais da “prática” se ter tornado do domínio público do que, propriamente, da “reflexão”, mas o povo também diz vale mais tarde do que nunca.

Só me apraz dizer, ou melhor, perguntar mais uma coisa. Onde é que eu me posso inscrever para receber um subsídio ou uma duplicaçãozita deste género? É que pertenço àquela classe de trabalhadores independentes otários, que passa recibos, paga segurança social e que quando não trabalha não recebe honorários. Para cúmulo da estupidez, gosto de gozar de alguns dias de férias com a minha família e, como está bem de ver, não tenho subsídios mesmo dos mais básicos. Mas, isso não impede a autoridade tributária de me enviar as notificaçõezinhas para os meus pagamentos por conta, o aluguer do escritório tem de continuar a ser pago e o raio da Segurança Social também não perdoa…


quinta-feira, 12 de abril de 2018

I'm sorry, I'm (kind of) stupid...

Mark Zuckerberg não “sabe” nada nem “ouviu nada” sobre funcionários do Facebook envolvidos no acesso a dados usados pela Cambridge Analytica; acredita que nenhum funcionário seu acede, acederia ou acederá, a dados pessoais alheios, apesar de “teoricamente” o poder fazer; assume falta de “visão” para prevenir um mau uso de algumas (poderosíssimas) ferramentas da sua rede social e, claro, pede desculpa.

Espanta-me sempre a pureza, a ingenuidade, a falta de memória e afins de gente tão iluminada e inteligente, capaz de estar dois ou três ou vinte passos à frente do “seu” tempo- e, com isso, enriquecer (muitas vezes, com mérito, diga-se!) até onde nunca poderiam ter sonhado- sem nunca, mas nunca, imaginarem o que de mais perverso pode brotar do enorme poder que os próprios e as suas empresas detêm. Fantástico, não é?

Já o “nosso” Zeinal Bava tinha perdido a “memória” uma série de vezes, “não sabia, não tinha que saber”, não tinha “responsabilidade” e manifestava certa “dificuldade em dar-lhe esses números” aquando da comissão de inquérito em torno desse fantástico caso-Rioforte, o que lhe valeu o “amadorismo” com que o brindou Mariana Mortágua, na altura, na audição parlamentar. Um pouco à semelhança desse outro brilhante, da finança, Ricardo Salgado. Gestores de topo, excepcionais, premiados, condecorados, reconhecidos, muitas vezes, internacionalmente e, pasme-se!, dotados de uma ingenuidade confrangedora. E constrangedora.

Mark Zuckerberg também “acredita” que o Facebook não recolhe conteúdos de chamadas telefónicas, embora “imagine” que a investigação já iniciada venha a apontar o dedo à Rússia e à China no acesso a dados e perfis dos utilizadores. O Facebook também não vende dados dos utilizadores, mas permite a sua portabilidade, o que é um descanso!

É verdade que, provavelmente, ninguém lê os termos de utilização e de privacidade do Facebook, embora tenham a “oportunidade de o fazer” e, mais provavelmente ainda, muitos dos que utilizam o Facebook são os primeiros a mandar às urtigas a privacidade, porque isso dá poucos likes. De modo que, nas palavras do sábio, mais uma vez, as pessoas são livres de deixar o Facebook. Ou não?

Pelo sim, pelo não, eu pertenço a essa classe de gente esquisita e obsoleta que não tem Facebook…