Não sei se me ria se chore:pesquisa-idiot-e-aparece-trump
Abomino tudo aquilo e mais alguma coisa que Donald Trump representa, mas isto é assustador. Será que podemos e devemos lutar com as mesmas armas que repudiamos?
Não sei se me ria se chore:pesquisa-idiot-e-aparece-trump
Abomino tudo aquilo e mais alguma coisa que Donald Trump representa, mas isto é assustador. Será que podemos e devemos lutar com as mesmas armas que repudiamos?
As discussões públicas, nomeadamente sobre política e
futebol, tornaram-se obscenos circos mediáticos com palco nas principais
estações televisivas, mesmo nas ditas de referência. Não faltam, sequer,
palhaços de estilos vários, em solo nacional e internacional.
Apresentadores e pivôs de telejornal fazem as honras da
casa, com enorme entusiasmo e alarido, estendendo generosamente o tapete
vermelho a toda a espécie de demagogos, populistas, mentirosos, corruptos e
candidatos a corruptos, chico-espertos e mais outro tanto de artistas que
usurparam o país como cadafalso privativo, fazendo dos restantes cidadãos os
condenados. Hoje, os corninhos de Manuel Pinho seriam encarados com brandura,
quiçá, com humor ou até com bravura.
Inaugurou-se uma forma de estar na política e na vida em
que apenas os tolos se podem dar ao luxo de ter rasgos de seriedade e lisura.
As elites, essas comportam-se como bandos organizados de
arruaceiros envernizados, do chico-esperto mais básico ao finório mais ardiloso
e matreiro. De dirigentes políticos a dirigentes desportivos, de ministros e
ex-ministros a assessores, da cigarra à formiga, se não todos assim parece,
procuram proveitosos fins quaisquer que sejam os meios.
O povo, mercê da voragem vertiginosa das redes sociais,
entretém-se em intensas orgias de ódios instantâneos e fugazes repulsas,
trocando de alvo como quem troca de par em bailes de swing. Um
caderno para menina não pode ser cor-de-rosa sem que isso levante um coro de
gritos furiosos, mas um ministro em funções pode acumular ordenados com
milhares de euros mensais provenientes de recheados e famosos sacos azuis sem
que os Facebooks e os Twitteres se
incendeiem. Os que consideram uma aberração que uma avó possa parir um neto são
intelectualmente atrasados, egoístas e inclementes com a dor dos que não podem
ser pais de outra forma, mas um pedófilo pode continuar em liberdade e a
conviver com crianças até serem esgotados todos os recursos, da primeira à
última instância, pois é prova de elevado intelecto respeitar a lei até às últimas
consequências. Apontar o dedo e duvidar, à margem de decisões judiciais, da
idoneidade e honestidade de quem ostensivamente se comporta como embusteiro e
larápio revolta as entranhas dos acérrimos defensores do estado de direito e
das minudências da lei, mas a raposa, depois de condenada, pode voltar a
assenhorar-se do galinheiro que já pilhou sem que, por isso, tremam as redes
sociais.
Hoje, é possível mentir, ludibriar, roubar (muito,
claro!) sem que isso cause grande alarme social, mas limitar os géneros ao
masculino e feminino é motivo de perseguição cerrada pelas brigadas
pró-tolerância. As plataformas virtuais censuram e eliminam, implacavelmente,
imagens de nus sejam eles a origem da vida ou o terror da guerra, mas, negar o
holocausto deve, delicada e elevadamente, enquadrar-se no direito à nossa(?)
liberdade de expressão.
Somos implacáveis, mas, apenas quando isso dá likes.
De outro modo, a ira esvazia-se. Cada um segue o seu caminho por entre os
pingos da chuva. Tomadas de posição, só em massa, a reboque do rebanho e,
claro, desde que esteja na moda.
Para não fugir à regra, parece que o último golpe de génio é o aproveitamento da tragédia de Pedrogão Grande. Como não? Segundo a revista Visão, o esquema consiste na alteração das moradas fiscais, já depois da data dos incêndios, para que habitações não permanentes fossem tratadas como primeiras casas - mesmo aquelas onde ninguém vivia há anos. Que valores queremos deixar às nossas crianças e jovens? Dá nojo.
Já estávamos familiarizados com as delicadas inverdades,
as inconvenientes fake news e os coloridos factos
alternativos. Também não desconhecíamos os lapsus linguae (acontece
aos melhores…) e as dramáticas descontextualizações; as
proveitosas amnésias dos políticos e dos donos disto tudo e
o desconhecimento periclitante e amador dos gestores de topo.
Faltava-nos, no entanto, a inovadora e elegante dupla negação que
Donald Trump (quem mais!?) invocou para se defender da chuva de duras críticas
de que foi alvo, por assumir publicamente que tomava como verdadeira e impoluta
a palavra de Vladimir Putin no que toca à alegada ingerência russa nas últimas
eleições presidenciais americanas.
“Em quem acredita?”, perguntou o jornalista da Associated
Press, Jonathan Lemire, a Donald Trump lado a lado com o presidente russo, em
plena conferência de imprensa, em Helsínquia. Uma pergunta simples nem sempre
exige uma resposta simples, é um facto. Mas, Donald Trump deu uma resposta
simples; à sua maneira. Se não no conteúdo, pelo menos, na forma. Com a sua
habitual inépcia e vocabulário rudimentar, Trump começou por dizer qualquer
coisa do género “a minha gente falou comigo, Dan Coats e outros, e dizem que
acham que foi a Rússia”. Ora, com o presidente Putin ao seu lado, nada mais
inteligente e astuto do que perguntar ao próprio, não?, pelo que, Donald Trump
rendeu-se a essa brilhante e eficaz estratégia política e rematou “eu tenho o
presidente Putin a dizer que não foi a Rússia e digo isto: não vejo por que
razão seria”. “Não vejo por que razão seria”. Vários forward and rewind depois
(afinal, o inglês, aparentemente, também é uma língua traiçoeira…), posso jurar
que foi mesmo isto que Trump disse. Mas, só que … parece que não.
Dois dias de mimos depois – desde traidor, erro trágico,
vergonhoso, bizarro e afins – Trump foi ao Twitter (outro must)
reforçar a GREAT confidance que tem nos SEUS serviços
de inteligência. Assim, em letras gordinhas e maiúsculas para não haver
mal-entendidos. E, para que não restassem mesmo dúvidas – afinal “devia
ter sido óbvio, pensei que fosse óbvio, mas, queria esclarecer para o caso de
não ter sido” – Trump veio afirmar que, nas suas declarações em
Helsínquia, usara a palavra, “seria”, em vez de “não seria”. Ou seja, frase
deveria ter sido “Não vejo nenhuma razão por que não seria a Rússia.” Uma espécie de dupla
negativa, também nas sábias palavras do próprio. Tudo isto, em directo para
as televisões e sem corar de vergonha. A seguir, ainda aceitou (imagino
que a custo) a conclusão dos Serviços Secretos americanos de que houve
interferência da Rússia nas eleições de 2016, para logo acrescentar que
também poderiam ter sido outros, pois há muita gente por aí…
Imagino que, quando voltar a reunir-se com Vladimir
Putin, Donald Trump lhe explique que, desta vez, terá usado a palavra “aceito”
em vez de “não aceito” a conclusão dos seus Serviços Secretos. Mas o diabo mora
nos detalhes e, a provar que eles andam mesmo por aí,
as luzes da sala onde Donald Trump se desdizia com máxima e empolgante
convicção desligaram-se.
Tudo isto teria imensa graça, não fosse dramático e perigoso. Foi inaugurada uma nova forma de estar na política (e não só), onde cabem todas as formas possíveis da mais perniciosa desonestidade e com as quais, aparentemente, se convive bem, pois causam menos indignação do que todas as formas do é p´ro menino e p´ra menina e seus derivados.
Um dos mergulhadores ingleses que participou nas
operações de resgate dos doze meninos tailandeses e do seu treinador sugeriu
que Elon Musk podia “stick his submarine where it hurts”, que é como quem diz,
ele que enfie o submarino onde lhe doer. Fantástico, não é? A brilhante tirada
vinha na sequência – em declarações à imprensa – de uma pergunta sobre qual
teria sido exactamente a intenção do CEO da SpaceX ao enviar o “mini-submarino”
para Mae Sai. Na opinião do mergulhador, o mini-submarino não tinha qualquer
hipótese de funcionar como opção de recurso ao salvamento e Musk, por sua vez,
não teria qualquer noção das características da gruta no que toca aos percursos
a realizar. Não estando em causa a perícia dos mergulhadores – e daquele, em
particular – para criticar a fiabilidade das soluções apresentadas por outros,
mandava o bom senso que não se caísse na brejeirice. Digo eu, que estou
bastante desactualizada nestas coisas.
Se um foi pouco elegante, a resposta do outro não ficou atrás e, recorrendo ao Twitter, Elon Musk acusou de pedofilia, nem mais nem menos!, o mergulhador inglês, de seu nome, Vernon Unsworth. E, claro está, sem fundamentar a acusação pois para isso é que a malta quer as redes sociais. Lógica? Da mais simples: Unsworth vive na Tailândia, a Tailândia tem um dramático problema de prostituição infantil, logo, Unsworth é pedófilo! Assim, uma espécie de tabela de verdade que só é “verdade” na ligeireza do bullying virtual que permite amigar e desamigar, bajular e insultar, dizer e desdizer de forma, aparentemente, tão apaixonada quanto inconsequente.
Eu acho que as redes sociais deveriam apresentar um alerta, assim ao estilo dos maços de tabaco: “a utilização de forma estúpida prejudica gravemente a sua saúde e a dos que o rodeiam”, ou, “descarregar baboseiras-barra-insultos nas redes sociais pode provocar a morte lenta e dolorosa da sua inteligência”.
É inacreditável como pessoas adultas e, supostamente, dotadas de algum discernimento, com provas dadas de competência em diferentes áreas, podem chegar a ser tão básicas.
Quando o meu filho era mais pequenino, perguntava-me muitas vezes “mamã, os adultos também fazem disparates?”. A inocência das crianças é algo delicioso; mas, olhando para o lado positivo da coisa, sempre podemos usar o seu valor pedagógico…
Donald Trump voltou a ser Donald Trump. Depois das
histéricas ameaças à NATO, depois dos insultos mais ou menos velados a Theresa
May, depois dos disse-e-não-disse travestidos de fake news – tão caras ao próprio
– o presidente dos EUA destratou, com pompa e circunstância, a rainha Isabel
II.
Pessoalmente, não me incomoda muito que um homem rude,
malcriado e estilo arruaceiro de esquina mal frequentada atropele protocolos
monárquicos e, pelo meio, sua alteza a rainha-mãe. Não tenho qualquer afinidade
com a monarquia, em nenhuma das suas vertentes. Mas, choca-me profundamente que
um brutamontes desrespeite, ostensivamente e para o mundo inteiro ver, uma
senhora de 92 anos e, ainda mais, sendo seu convidado.
No entretanto, Donald Trump anunciou que será candidato a um segundo mandato como presidente da América, porque não vislumbra nenhum democrata capaz de lhe fazer frente. É natural. É sempre difícil argumentar com lunáticos. Mais ainda, com lunáticos que são, ao mesmo tempo, mentirosos compulsivos e candidatos brilhantes ao prémio de melhor bully do ano. Se fiquei absolutamente pasmada com a primeira eleição deste homem, já não me espantaria que voltasse a arrebatar a presidência dos EUA. Afinal, muitas são as críticas que lhe tecem, mas, a verdade é que o estilo vai colhendo frutos…
"Há uma força motriz mais
poderosa que o vapor, a electricidade e a energia atómica: a vontade." É uma das minhas frases preferidas. Se dúvidas
houvesse quanto à convicção de Albert Einstein, bastava ter estado com os olhos
postos nestas treze crianças tailandesas e no seu treinador, nestes últimos
dias. E, também, naqueles que se disponibilizaram a ajudá-los.
Contra (quase) todas as expectativas, todos os peritos,
todas as opiniões fundamentadas na técnica e na experiência e muitos outros
eteceteras, um grupo de pessoas fantásticas protagonizou uma história que tem
tanto de assustadora como de electrizante. Porque os “milagres” fazem-se,
precisamente, da vontade de todos aqueles que se envolvem de corpo e alma nas
tarefas a que se propõem. "Algo só é impossível até que alguém duvide e
prove o contrário", terá dito, também, o génio.
Não sei se os meninos e o seu treinador aprenderam ou não
a mergulhar, se saíram em macas, se terão sido ou não sedados ou outro tanto de
coisas que se disseram nos meios de comunicação social. Mas sei que todos os
especialistas, entre psicólogos, mergulhadores e outros técnicos competentes,
chamados a dar os seus profissionais pareceres, foram unânimes nas enormes
dúvidas em relação ao sucesso desta operação. Esqueceram-se dessa tremenda
vontade que molda a alma dos que acreditam e se alimentam desse querer.
Tal como outras vezes, a realidade superou a ficção, mas,
desta vez, na forma de um final admiravelmente feliz.
Ao milagre do resgate, some-se a tremenda onda de
solidariedade dos que se juntaram para apoiar as equipas de resgate, os
jornalistas e as famílias dos meninos. Numa história feita de coragem,
resiliência, persistência, competência e perseverança, a mulher do presidente
da câmara de Mae Sai – que é presidente da Cruz Vermelha local – mostrou o que
é o verdadeiro serviço público: fez uma “vaquinha” com os elementos da sua
equipa e, com dinheiro pessoal, compraram os primeiros mantimentos e começaram
a preparar as primeiras refeições. Antes de estar tudo mais organizado. Qualquer
semelhança com a realidade de alguns é pura coincidência. Mas, também, tudo
nesta história é maravilhosamente inacreditável.
Seguramente, os sorrisos e a alegria das crianças e das suas famílias estarão também com aquele outro herói que perdeu a vida para ajudar a salvar as suas.
Não sei se os políticos são todos iguais, mas que parecem, lá isso, parecem.
Mas, nós, portugueses, também parecemos ter exactamente os políticos que
merecemos. Lembremo-nos, sempre!, quem é o actual presidente da câmara de
Oeiras e quem é que o elegeu. Recordemos Fátima Felgueiras. Deixemos assentar a
poeira e, quiçá, José Sócrates ainda é capaz de chegar a Presidente desta bela
República. Nunca fiando…
Indignamo-nos com as cores dos cadernos para meninos e
meninas, vociferamos contra anúncios anti-tabaco machistas e de gosto duvidoso,
mas convivemos mais ou menos bem com viagens pagas a deputados e duplicação de
subsídios ou ajudas de custo. Condenamos os pais que dão falsas moradas para
inscrever os filhos nas melhores escolas públicas, mas encolhemos os ombros
quando os nossos deputados alteram as suas próprias moradas de forma a amealhar
mais umas dezenazitas de euros mensais (até nisso somos pobres…). Revoltamo-nos
contra os professores, esse bando de indolentes e incompetentes, mas pouco nos
importa o vergonhoso nível de absentismo e a gritante ignorância de alguns dos
nossos representes no Parlamento.
Num país de bem, quem foge à justiça, quem deve ao fisco,
quem não cumpre os mais básicos deveres de cidadania não pode, legalmente, com
a maior arrogância e impunidade, candidatar-se a cargos políticos. E quem
exerce cargos políticos, pagos com os impostos dos que trabalham e não vivem
dos favores do Estado, não pode escudar-se em contorcionismos linguísticos e
pseudointelectuais, para justificar o que, podendo não ser ilegal, é,
seguramente, imoral e antiético. Como é que justificava, Carlos César, o seu
alegado direito à duplicação de pagamento das suas viagens de e para os Açores?
Ah, não é duplicação… A magia das palavras! E- obviamente, não comparando o que
não é comparável- não vem mal ao mundo (pelo menos, a Portugal) se um
primeiro-ministro vive à custa de um grande e rico amigo. São só invejas e
maledicências grosseiras, de quem também quer, mas não pode.
A verdade é que ninguém parece ter muita vontade ou
coragem para mexer nas mordomias estabelecidas. O povo é pouco exigente e só
tem pena de não conhecer ninguém numa câmara, numa junta de freguesia, numa
associação, enfim, num qualquer organismozito que não esteja já lotado de
primos, tios, esposas, esposos, filhos e filhas, noras, genros, ascendentes e
descendentes e demais in laws. Lá diz o ditado, cão que ladra não morde e, digo
eu, quem beneficiar de um tachinho jeitoso não estrebucha, não é?
Dificilmente se pode produzir uma sociedade mais justa, mais rica e mais digna cultivando ou tolerando a incompetência, o compadrio e a corrupção, em vez de premiar e estimar valores como o mérito, o trabalho capaz, a justiça social, o respeito pelas pessoas e pelas instituições e pelas leis que devem reger um Estado democrático e de direito. Ou isso, ou ficaremos cada vez mais à mercê de lunáticos demagogos e populistas ao estilo Donald Trump e seus aprendizes…mas isso não parece preocupar muita gente.
Em tempos não muito distantes, palavras levava-as o vento
e dos fracos não rezava a história. Mas, entretanto, chegaram as redes sociais,
as palavras permaneceram contra todos os ventos e os fracos, deslumbrados,
ganharam espaço e tempo de antena. De indignação em indignação, de pirraça em
pirraça, de insulto em insulto, tão mais eloquente quanto mais cobardemente
anónimo, ergueu-se, ali, um campo fértil para os frustrados, para os
arruaceiros, para os populistas. E, evidentemente, para criminosos das mais
variadas e arrepiantes dimensões, mas isso seria assunto para um outro tema e
um outro texto. Um outro dia.
É evidente que as redes sociais têm coisas fantásticas,
apesar de ainda haver gente, como eu, que dispensa a maioria. A evolução
tecnológica, também nesta área, é indiscutível e não pode ser ignorada nem
menorizada. Pelo contrário. No entanto, o foco do problema não está nas redes
socias, como é óbvio. Está nos seus utilizadores. Basta ver as páginas que
recebem mais likes, mais visualizações e possuem mais seguidores.
Desfiar um rosário de acontecimentos da nossa vida privada- quanto mais picante
e/ou atormentada, melhor- rende muito mais do que falar de temas mais sérios e,
claro, muito mais entediantes e sem glamour. E, se há utilizadores
mais inofensivos, que se preocupam apenas com as fofocas básicas do dia-a-dia,
também há os que preferem intrigas, muito sangue, menos suor e mais lágrimas. É
neste meio que pupulam os imberbes que usam as redes sociais e as caixas de
comentários de algumas publicações online para vomitar ódios e aliviar,
violentamente, o desencantamento emergente dos seus fracassos.
Se, nas redes sociais, é inevitável o tempo de antena que
se dá aos néscios, venham de onde vierem, não deixa de me espantar a
importância que a imprensa e a comunicação social lhes dedicam com quase
idêntico fervor. Os ignorantes são outros, o motivo será o mesmo. Em vez
dos likes são os shares e os ratings e
nem a imprensa dita de referência lhes escapa.
De share em share, subindo o
tom e baixando o nível, jornalistas e televisões- por arrasto, o país em peso-
vive o fenómeno Bruno de Carvalho com a avidez dos abutres ao redor da carniça.
Incluo, infelizmente (porque vejo regularmente), a SIC Notícias e as suas horas
recentes e intermináveis de comentários e análises ad nauseam. Não,
os jornalistas e as televisões não criaram o Bruno de Carvalho (ou criaram?),
esse, outrora, salvador do Sporting contra tudo e todos. E, sim, os jornalistas
e as televisões têm a obrigação e o dever de informar e não devem voltar as
costas às notícias do dia. Mas, e que tal voltar as costas a quem os insulta e
os destrata dando-se, até, ao luxo de os manter mais de uma hora e meia à
espera de uma conferência de imprensa que, mais não foi, do que um monólogo
enfadonho, entre a vitimização e a ameaça, a “coragem” saloia e o narcisismo
imbecil? O show dos jornais debaixo do braço, com especial destaque para a
“morte à nascença dos Brunos de Carvalho” é da mais absurda demagogia. Só, de
facto, seres muito pouco inteligentes, profundamente demagogos ou
perturbadoramente alienados (Bruno de Carvalho que escolha, é capaz de encaixar
em todos) é que poderiam ver naquela frase um desejo literal da morte física de
alguém. Nem é preciso ler integralmente o texto de Miguel Sousa Tavares. Basta
o título da crónica. Para quem se queixa da descontextualização do seu “foi
chato”, é de se lhe tirar o chapéu!
Tal como usar a família, principalmente, as filhas
menores para o eterno carpir do seu omnipresente processo de vitimização.
Só mais coisa continua a espantar-me. Como é que gente
como o reputado psiquiatra Daniel Sampaio, o médico-cirurgião Eduardo Barroso e
muitas outras personalidades que a maioria de nós tem por sérias e
inteligentes, só agora se aperceberam do calibre deste senhor. É um pouco ao
estilo do “caso” Sócrates. Enquanto é útil, ninguém vê. Afinal, cego, não é só
o amor.
P.S. Tão ou mais importante do que saber perder, é saber ganhar. Não sei se o Desportivo das Aves foi ou não foi um justo vencedor da Taça de Portugal. Não percebo nada de futebol e sou portista mais por, desconfio, questões genéticas do que por qualquer outra coisa. No entanto, por muita razão que tenha o treinador do Aves (e eu acho que tem alguma) e por enorme que seja o feito do seu clube, José Mota poderia ter tentado ser ainda maior. Mas compreende-se.
Diz-se que o pior cego é aquele que não quer ver. Ontem
foi um dia “chato” para o futebol português e Bruno de Carvalho está como
aquele homem da anedota, que vai no carro, ouve nas notícias que há um condutor
em contra-mão na auto-estrada e exclama, “porra, não é um, são muitos!”.
Bruno de Carvalho há muito que já devia ter sido corrido
da presidência do Sporting. Corrido, porque, já todos percebemos, ele não vai
sair pelo seu próprio pé. Está em negação absoluta. Como na canção, e na sua
cabeça demente e deslumbrada, o mundo inteiro uniu-se para o tramar e tudo não
passa de um “aproveitamento” (?!), de uma campanha contra o Bruno, porque Bruno
é Deus, todo-poderoso, omnipresente, omnipotente, omni-eu-próprio e o meu belo
umbigo.
Ontem, em Alcochete, em Portugal!, viveu-se um momento de
terrível e absurdo nojo mesmo para os que se estão nas tintas para o futebol e
Jaime Marta Soares tem a dizer que, se for caso disso, os órgãos sociais do
Sporting reunirão na segunda-feira. O mesmo Jaime que já exigiu a demissão de
Bruno de Carvalho- mas, afinal, não- por não ter condições para continuar como
presidente do Sporting- mas, afinal, sim. E agora?
Se Jesus conseguir ter todos os seus principais jogadores em campo, no Jamor, no Domingo, terá operado um segundo milagre na mais recente história do clube, depois do episódio do primeiro “post” de Bruno de Carvalho após o jogo com o Atlético de Madrid. De certeza que Bruno de Carvalho é sportinguista? Eu não sou e lamento profundamente a enorme nódoa que este senhor vai deixar naquele clube. Que se vá embora e que não demore. E, se lhe for possível, sem bater com a porta, porque já fez estragos que chegue.
“Me engana que eu gosto”, ou, na versão portuguesa e de autoria de João Miguel Tavares, “O Silêncio dos Indecentes”; que deixou de ser silêncio para passar à batata quente de que todos se querem livrar porque, já se percebeu, vai rebentar na mão de muitos. E a indecência mantém-se. Numa alucinação precipitada de acontecimentos e críticas que desembocaram com a desfiliação de José Sócrates (essa figura única e irrepetível) do principal partido do Governo, eis que começam a sacudir-se muitas águas de muitos capotes. Agora, foi a vez de Fernanda Câncio. Que José Sócrates assim, que José Sócrates assado, coitadinhos de todos os que acreditámos nele que ainda acabamos todos a ser tomados por cúmplices. E nós, os outros, tomados por parvos. Outra vez! Os mesmos que, até agora, repetiam à exaustão, para defender o indefensável, que todos são inocentes até prova em contrário e que a justiça se faz nos tribunais, apressam-se na azáfama de se distanciarem o mais longe e o mais rápido possível da tempestade que aí vem. O melhor truque é fingir que não se percebeu nada de nada. Sócrates, esse mestre do engano e da dissimulação, é que a todos ludibriou, não só o país, como o partido, os amigos, as namoradas e por aí fora. Parece que, afinal, o “mau jornalismo” da SIC afectou mais gente do que se supunha. Não bradaram, tantos comentadores iluminados e sapientes, que aquelas imagens não aportavam nada de novo à investigação e contribuíam apenas para a tabloidização “pornográfica” da justiça? Pois é. Às vezes é preciso coragem para tomar uma decisão, ainda que (eventualmente) má, porque pior do que decidir mal é não decidir coisa nenhuma e fingir que não vemos o que se passa à nossa volta. Os ratos começam a abandonar o navio e a coisa não vai ser bonita de ver…