sexta-feira, 20 de julho de 2018

Sai um idiota fresquinho, se faz favor!

Não sei se me ria se chore:pesquisa-idiot-e-aparece-trump

Abomino tudo aquilo e mais alguma coisa que Donald Trump representa, mas isto é assustador. Será que podemos e devemos lutar com as mesmas armas que repudiamos?

quarta-feira, 18 de julho de 2018

O Circo dos Beras

As discussões públicas, nomeadamente sobre política e futebol, tornaram-se obscenos circos mediáticos com palco nas principais estações televisivas, mesmo nas ditas de referência. Não faltam, sequer, palhaços de estilos vários, em solo nacional e internacional.

Apresentadores e pivôs de telejornal fazem as honras da casa, com enorme entusiasmo e alarido, estendendo generosamente o tapete vermelho a toda a espécie de demagogos, populistas, mentirosos, corruptos e candidatos a corruptos, chico-espertos e mais outro tanto de artistas que usurparam o país como cadafalso privativo, fazendo dos restantes cidadãos os condenados. Hoje, os corninhos de Manuel Pinho seriam encarados com brandura, quiçá, com humor ou até com bravura.

Inaugurou-se uma forma de estar na política e na vida em que apenas os tolos se podem dar ao luxo de ter rasgos de seriedade e lisura. As elites, essas comportam-se como bandos organizados de arruaceiros envernizados, do chico-esperto mais básico ao finório mais ardiloso e matreiro. De dirigentes políticos a dirigentes desportivos, de ministros e ex-ministros a assessores, da cigarra à formiga, se não todos assim parece, procuram proveitosos fins quaisquer que sejam os meios.

O povo, mercê da voragem vertiginosa das redes sociais, entretém-se em intensas orgias de ódios instantâneos e fugazes repulsas, trocando de alvo como quem troca de par em bailes de swing. Um caderno para menina não pode ser cor-de-rosa sem que isso levante um coro de gritos furiosos, mas um ministro em funções pode acumular ordenados com milhares de euros mensais provenientes de recheados e famosos sacos azuis sem que os Facebooks e os Twitteres se incendeiem. Os que consideram uma aberração que uma avó possa parir um neto são intelectualmente atrasados, egoístas e inclementes com a dor dos que não podem ser pais de outra forma, mas um pedófilo pode continuar em liberdade e a conviver com crianças até serem esgotados todos os recursos, da primeira à última instância, pois é prova de elevado intelecto respeitar a lei até às últimas consequências. Apontar o dedo e duvidar, à margem de decisões judiciais, da idoneidade e honestidade de quem ostensivamente se comporta como embusteiro e larápio revolta as entranhas dos acérrimos defensores do estado de direito e das minudências da lei, mas a raposa, depois de condenada, pode voltar a assenhorar-se do galinheiro que já pilhou sem que, por isso, tremam as redes sociais.

Hoje, é possível mentir, ludibriar, roubar (muito, claro!) sem que isso cause grande alarme social, mas limitar os géneros ao masculino e feminino é motivo de perseguição cerrada pelas brigadas pró-tolerância. As plataformas virtuais censuram e eliminam, implacavelmente, imagens de nus sejam eles a origem da vida ou o terror da guerra, mas, negar o holocausto deve, delicada e elevadamente, enquadrar-se no direito à nossa(?) liberdade de expressão.

Somos implacáveis, mas, apenas quando isso dá likes. De outro modo, a ira esvazia-se. Cada um segue o seu caminho por entre os pingos da chuva. Tomadas de posição, só em massa, a reboque do rebanho e, claro, desde que esteja na moda.

Para não fugir à regra, parece que o último golpe de génio é o aproveitamento da tragédia de Pedrogão Grande. Como não? Segundo a revista Visão, o esquema consiste na alteração das moradas fiscais, já depois da data dos incêndios, para que habitações não permanentes fossem tratadas como primeiras casas - mesmo aquelas onde ninguém vivia há anos. Que valores queremos deixar às nossas crianças e jovens? Dá nojo.

A dupla negativa...

Já estávamos familiarizados com as delicadas inverdades, as inconvenientes fake news e os coloridos factos alternativos. Também não desconhecíamos os lapsus linguae (acontece aos melhores…) e as dramáticas descontextualizações; as proveitosas amnésias dos políticos e dos donos disto tudo e o desconhecimento periclitante e amador dos gestores de topo. Faltava-nos, no entanto, a inovadora e elegante dupla negação que Donald Trump (quem mais!?) invocou para se defender da chuva de duras críticas de que foi alvo, por assumir publicamente que tomava como verdadeira e impoluta a palavra de Vladimir Putin no que toca à alegada ingerência russa nas últimas eleições presidenciais americanas.

“Em quem acredita?”, perguntou o jornalista da Associated Press, Jonathan Lemire, a Donald Trump lado a lado com o presidente russo, em plena conferência de imprensa, em Helsínquia. Uma pergunta simples nem sempre exige uma resposta simples, é um facto. Mas, Donald Trump deu uma resposta simples; à sua maneira. Se não no conteúdo, pelo menos, na forma. Com a sua habitual inépcia e vocabulário rudimentar, Trump começou por dizer qualquer coisa do género “a minha gente falou comigo, Dan Coats e outros, e dizem que acham que foi a Rússia”. Ora, com o presidente Putin ao seu lado, nada mais inteligente e astuto do que perguntar ao próprio, não?, pelo que, Donald Trump rendeu-se a essa brilhante e eficaz estratégia política e rematou “eu tenho o presidente Putin a dizer que não foi a Rússia e digo isto: não vejo por que razão seria”. “Não vejo por que razão seria”. Vários forward and rewind depois (afinal, o inglês, aparentemente, também é uma língua traiçoeira…), posso jurar que foi mesmo isto que Trump disse. Mas, só que … parece que não.

Dois dias de mimos depois – desde traidor, erro trágico, vergonhoso, bizarro e afins – Trump foi ao Twitter (outro must) reforçar a GREAT confidance que tem nos SEUS serviços de inteligência. Assim, em letras gordinhas e maiúsculas para não haver mal-entendidos. E, para que não restassem mesmo dúvidas – afinal “devia ter sido óbvio, pensei que fosse óbvio, mas, queria esclarecer para o caso de não ter sido” – Trump veio afirmar que, nas suas declarações em Helsínquia, usara a palavra, “seria”, em vez de “não seria”. Ou seja, frase deveria ter sido “Não vejo nenhuma razão por que não seria a Rússia.” Uma espécie de dupla negativa, também nas sábias palavras do próprio. Tudo isto, em directo para as televisões e sem corar de vergonha. A seguir, ainda aceitou (imagino que a custo) a conclusão dos Serviços Secretos americanos de que houve interferência da Rússia nas eleições de 2016, para logo acrescentar que também poderiam ter sido outros, pois há muita gente por aí

Imagino que, quando voltar a reunir-se com Vladimir Putin, Donald Trump lhe explique que, desta vez, terá usado a palavra “aceito” em vez de “não aceito” a conclusão dos seus Serviços Secretos. Mas o diabo mora nos detalhes e, a provar que eles andam mesmo por aí, as luzes da sala onde Donald Trump se desdizia com máxima e empolgante convicção desligaram-se.

Tudo isto teria imensa graça, não fosse dramático e perigoso. Foi inaugurada uma nova forma de estar na política (e não só), onde cabem todas as formas possíveis da mais perniciosa desonestidade e com as quais, aparentemente, se convive bem, pois causam menos indignação do que todas as formas do é p´ro menino e p´ra menina e seus derivados.

segunda-feira, 16 de julho de 2018

Redes Sociais: Use com Moderação

Um dos mergulhadores ingleses que participou nas operações de resgate dos doze meninos tailandeses e do seu treinador sugeriu que Elon Musk podia “stick his submarine where it hurts”, que é como quem diz, ele que enfie o submarino onde lhe doer. Fantástico, não é? A brilhante tirada vinha na sequência – em declarações à imprensa – de uma pergunta sobre qual teria sido exactamente a intenção do CEO da SpaceX ao enviar o “mini-submarino” para Mae Sai. Na opinião do mergulhador, o mini-submarino não tinha qualquer hipótese de funcionar como opção de recurso ao salvamento e Musk, por sua vez, não teria qualquer noção das características da gruta no que toca aos percursos a realizar. Não estando em causa a perícia dos mergulhadores – e daquele, em particular – para criticar a fiabilidade das soluções apresentadas por outros, mandava o bom senso que não se caísse na brejeirice. Digo eu, que estou bastante desactualizada nestas coisas.

Se um foi pouco elegante, a resposta do outro não ficou atrás e, recorrendo ao Twitter, Elon Musk acusou de pedofilia, nem mais nem menos!, o mergulhador inglês, de seu nome, Vernon Unsworth. E, claro está, sem fundamentar a acusação pois para isso é que a malta quer as redes sociais. Lógica? Da mais simples: Unsworth vive na Tailândia, a Tailândia tem um dramático problema de prostituição infantil, logo, Unsworth é pedófilo! Assim, uma espécie de tabela de verdade que só é “verdade” na ligeireza do bullying virtual que permite amigar e desamigar, bajular e insultar, dizer e desdizer de forma, aparentemente, tão apaixonada quanto inconsequente.

Eu acho que as redes sociais deveriam apresentar um alerta, assim ao estilo dos maços de tabaco: “a utilização de forma estúpida prejudica gravemente a sua saúde e a dos que o rodeiam”, ou, “descarregar baboseiras-barra-insultos nas redes sociais pode provocar a morte lenta e dolorosa da sua inteligência”.

É inacreditável como pessoas adultas e, supostamente, dotadas de algum discernimento, com provas dadas de competência em diferentes áreas, podem chegar a ser tão básicas.

Quando o meu filho era mais pequenino, perguntava-me muitas vezes “mamã, os adultos também fazem disparates?”. A inocência das crianças é algo delicioso; mas, olhando para o lado positivo da coisa, sempre podemos usar o seu valor pedagógico…

"Fake You"

Donald Trump voltou a ser Donald Trump. Depois das histéricas ameaças à NATO, depois dos insultos mais ou menos velados a Theresa May, depois dos disse-e-não-disse travestidos de fake news – tão caras ao próprio – o presidente dos EUA destratou, com pompa e circunstância, a rainha Isabel II.

Pessoalmente, não me incomoda muito que um homem rude, malcriado e estilo arruaceiro de esquina mal frequentada atropele protocolos monárquicos e, pelo meio, sua alteza a rainha-mãe. Não tenho qualquer afinidade com a monarquia, em nenhuma das suas vertentes. Mas, choca-me profundamente que um brutamontes desrespeite, ostensivamente e para o mundo inteiro ver, uma senhora de 92 anos e, ainda mais, sendo seu convidado.   

No entretanto, Donald Trump anunciou que será candidato a um segundo mandato como presidente da América, porque não vislumbra nenhum democrata capaz de lhe fazer frente. É natural. É sempre difícil argumentar com lunáticos. Mais ainda, com lunáticos que são, ao mesmo tempo, mentirosos compulsivos e candidatos brilhantes ao prémio de melhor bully do ano. Se fiquei absolutamente pasmada com a primeira eleição deste homem, já não me espantaria que voltasse a arrebatar a presidência dos EUA. Afinal, muitas são as críticas que lhe tecem, mas, a verdade é que o estilo vai colhendo frutos…

terça-feira, 10 de julho de 2018

O Milagre da Vontade

"Há uma força motriz mais poderosa que o vapor, a electricidade e a energia atómica: a vontade." É uma das minhas frases preferidas. Se dúvidas houvesse quanto à convicção de Albert Einstein, bastava ter estado com os olhos postos nestas treze crianças tailandesas e no seu treinador, nestes últimos dias. E, também, naqueles que se disponibilizaram a ajudá-los.

Contra (quase) todas as expectativas, todos os peritos, todas as opiniões fundamentadas na técnica e na experiência e muitos outros eteceteras, um grupo de pessoas fantásticas protagonizou uma história que tem tanto de assustadora como de electrizante. Porque os “milagres” fazem-se, precisamente, da vontade de todos aqueles que se envolvem de corpo e alma nas tarefas a que se propõem. "Algo só é impossível até que alguém duvide e prove o contrário", terá dito, também, o génio.

Não sei se os meninos e o seu treinador aprenderam ou não a mergulhar, se saíram em macas, se terão sido ou não sedados ou outro tanto de coisas que se disseram nos meios de comunicação social. Mas sei que todos os especialistas, entre psicólogos, mergulhadores e outros técnicos competentes, chamados a dar os seus profissionais pareceres, foram unânimes nas enormes dúvidas em relação ao sucesso desta operação. Esqueceram-se dessa tremenda vontade que molda a alma dos que acreditam e se alimentam desse querer.

Tal como outras vezes, a realidade superou a ficção, mas, desta vez, na forma de um final admiravelmente feliz.

Ao  milagre do resgate, some-se a tremenda onda de solidariedade dos que se juntaram para apoiar as equipas de resgate, os jornalistas e as famílias dos meninos. Numa história feita de coragem, resiliência, persistência, competência e perseverança, a mulher do presidente da câmara de Mae Sai – que é presidente da Cruz Vermelha local – mostrou o que é o verdadeiro serviço público: fez uma “vaquinha” com os elementos da sua equipa e, com dinheiro pessoal, compraram os primeiros mantimentos e começaram a preparar as primeiras refeições. Antes de estar tudo mais organizado. Qualquer semelhança com a realidade de alguns é pura coincidência. Mas, também, tudo nesta história é maravilhosamente inacreditável. 

Seguramente, os sorrisos e a alegria das crianças e das suas famílias estarão também com aquele outro herói que perdeu a vida para ajudar a salvar as suas.

quinta-feira, 28 de junho de 2018

Os políticos não são "tutti" iguais... ou são?

Não sei se os políticos são todos  iguais, mas que parecem, lá isso, parecem. Mas, nós, portugueses, também parecemos ter exactamente os políticos que merecemos. Lembremo-nos, sempre!, quem é o actual presidente da câmara de Oeiras e quem é que o elegeu. Recordemos Fátima Felgueiras. Deixemos assentar a poeira e, quiçá, José Sócrates ainda é capaz de chegar a Presidente desta bela República. Nunca fiando…

Indignamo-nos com as cores dos cadernos para meninos e meninas, vociferamos contra anúncios anti-tabaco machistas e de gosto duvidoso, mas convivemos mais ou menos bem com viagens pagas a deputados e duplicação de subsídios ou ajudas de custo. Condenamos os pais que dão falsas moradas para inscrever os filhos nas melhores escolas públicas, mas encolhemos os ombros quando os nossos deputados alteram as suas próprias moradas de forma a amealhar mais umas dezenazitas de euros mensais (até nisso somos pobres…). Revoltamo-nos contra os professores, esse bando de indolentes e incompetentes, mas pouco nos importa o vergonhoso nível de absentismo e a gritante ignorância de alguns dos nossos representes no Parlamento.

Num país de bem, quem foge à justiça, quem deve ao fisco, quem não cumpre os mais básicos deveres de cidadania não pode, legalmente, com a maior arrogância e impunidade, candidatar-se a cargos políticos. E quem exerce cargos políticos, pagos com os impostos dos que trabalham e não vivem dos favores do Estado, não pode escudar-se em contorcionismos linguísticos e pseudointelectuais, para justificar o que, podendo não ser ilegal, é, seguramente, imoral e antiético. Como é que justificava, Carlos César, o seu alegado direito à duplicação de pagamento das suas viagens de e para os Açores? Ah, não é duplicação… A magia das palavras! E- obviamente, não comparando o que não é comparável- não vem mal ao mundo (pelo menos, a Portugal) se um primeiro-ministro vive à custa de um grande e rico amigo. São só invejas e maledicências grosseiras, de quem também quer, mas não pode.

A verdade é que ninguém parece ter muita vontade ou coragem para mexer nas mordomias estabelecidas. O povo é pouco exigente e só tem pena de não conhecer ninguém numa câmara, numa junta de freguesia, numa associação, enfim, num qualquer organismozito que não esteja já lotado de primos, tios, esposas, esposos, filhos e filhas, noras, genros, ascendentes e descendentes e demais in laws. Lá diz o ditado, cão que ladra não morde e, digo eu, quem beneficiar de um tachinho jeitoso não estrebucha, não é?

Dificilmente se pode produzir uma sociedade mais justa, mais rica e mais digna cultivando ou tolerando a incompetência, o compadrio e a corrupção, em vez de premiar e estimar valores como o mérito, o trabalho capaz, a justiça social, o respeito pelas pessoas e pelas instituições e pelas leis que devem reger um Estado democrático e de direito. Ou isso, ou ficaremos cada vez mais à mercê de lunáticos demagogos e populistas ao estilo Donald Trump e seus aprendizes…mas isso não parece preocupar muita gente.

segunda-feira, 21 de maio de 2018

Cego, cego, não era só o amor?

Em tempos não muito distantes, palavras levava-as o vento e dos fracos não rezava a história. Mas, entretanto, chegaram as redes sociais, as palavras permaneceram contra todos os ventos e os fracos, deslumbrados, ganharam espaço e tempo de antena. De indignação em indignação, de pirraça em pirraça, de insulto em insulto, tão mais eloquente quanto mais cobardemente anónimo, ergueu-se, ali, um campo fértil para os frustrados, para os arruaceiros, para os populistas. E, evidentemente, para criminosos das mais variadas e arrepiantes dimensões, mas isso seria assunto para um outro tema e um outro texto. Um outro dia.

É evidente que as redes sociais têm coisas fantásticas, apesar de ainda haver gente, como eu, que dispensa a maioria. A evolução tecnológica, também nesta área, é indiscutível e não pode ser ignorada nem menorizada. Pelo contrário. No entanto, o foco do problema não está nas redes socias, como é óbvio. Está nos seus utilizadores. Basta ver as páginas que recebem mais likes, mais visualizações e possuem mais seguidores. Desfiar um rosário de acontecimentos da nossa vida privada- quanto mais picante e/ou atormentada, melhor- rende muito mais do que falar de temas mais sérios e, claro, muito mais entediantes e sem glamour. E, se há utilizadores mais inofensivos, que se preocupam apenas com as fofocas básicas do dia-a-dia, também há os que preferem intrigas, muito sangue, menos suor e mais lágrimas. É neste meio que pupulam os imberbes que usam as redes sociais e as caixas de comentários de algumas publicações online para vomitar ódios e aliviar, violentamente, o desencantamento emergente dos seus fracassos.

Se, nas redes sociais, é inevitável o tempo de antena que se dá aos néscios, venham de onde vierem, não deixa de me espantar a importância que a imprensa e a comunicação social lhes dedicam com quase idêntico fervor. Os ignorantes são outros, o motivo será o mesmo. Em vez dos likes são os shares e os ratings e nem a imprensa dita de referência lhes escapa.

De share em share, subindo o tom e baixando o nível, jornalistas e televisões- por arrasto, o país em peso- vive o fenómeno Bruno de Carvalho com a avidez dos abutres ao redor da carniça. Incluo, infelizmente (porque vejo regularmente), a SIC Notícias e as suas horas recentes e intermináveis de comentários e análises ad nauseam. Não, os jornalistas e as televisões não criaram o Bruno de Carvalho (ou criaram?), esse, outrora, salvador do Sporting contra tudo e todos. E, sim, os jornalistas e as televisões têm a obrigação e o dever de informar e não devem voltar as costas às notícias do dia. Mas, e que tal voltar as costas a quem os insulta e os destrata dando-se, até, ao luxo de os manter mais de uma hora e meia à espera de uma conferência de imprensa que, mais não foi, do que um monólogo enfadonho, entre a vitimização e a ameaça, a “coragem” saloia e o narcisismo imbecil? O show dos jornais debaixo do braço, com especial destaque para a “morte à nascença dos Brunos de Carvalho” é da mais absurda demagogia. Só, de facto, seres muito pouco inteligentes, profundamente demagogos ou perturbadoramente alienados (Bruno de Carvalho que escolha, é capaz de encaixar em todos) é que poderiam ver naquela frase um desejo literal da morte física de alguém. Nem é preciso ler integralmente o texto de Miguel Sousa Tavares. Basta o título da crónica. Para quem se queixa da descontextualização do seu “foi chato”, é de se lhe tirar o chapéu!

Tal como usar a família, principalmente, as filhas menores para o eterno carpir do seu omnipresente processo de vitimização.

Só mais coisa continua a espantar-me. Como é que gente como o reputado psiquiatra Daniel Sampaio, o médico-cirurgião Eduardo Barroso e muitas outras personalidades que a maioria de nós tem por sérias e inteligentes, só agora se aperceberam do calibre deste senhor. É um pouco ao estilo do “caso” Sócrates. Enquanto é útil, ninguém vê. Afinal, cego, não é só o amor.

P.S. Tão ou mais importante do que saber perder, é saber ganhar. Não sei se o Desportivo das Aves foi ou não foi um justo vencedor da Taça de Portugal. Não percebo nada de futebol e sou portista mais por, desconfio, questões genéticas do que por qualquer outra coisa. No entanto, por muita razão que tenha o treinador do Aves (e eu acho que tem alguma) e por enorme que seja o feito do seu clube, José Mota poderia ter tentado ser ainda maior. Mas compreende-se.

quarta-feira, 16 de maio de 2018

O pior cego...

Diz-se que o pior cego é aquele que não quer ver. Ontem foi um dia “chato” para o futebol português e Bruno de Carvalho está como aquele homem da anedota, que vai no carro, ouve nas notícias que há um condutor em contra-mão na auto-estrada e exclama, “porra, não é um, são muitos!”.

Bruno de Carvalho há muito que já devia ter sido corrido da presidência do Sporting. Corrido, porque, já todos percebemos, ele não vai sair pelo seu próprio pé. Está em negação absoluta. Como na canção, e na sua cabeça demente e deslumbrada, o mundo inteiro uniu-se para o tramar e tudo não passa de um “aproveitamento” (?!), de uma campanha contra o Bruno, porque Bruno é Deus, todo-poderoso, omnipresente, omnipotente, omni-eu-próprio e o meu belo umbigo.

Ontem, em Alcochete, em Portugal!, viveu-se um momento de terrível e absurdo nojo mesmo para os que se estão nas tintas para o futebol e Jaime Marta Soares tem a dizer que, se for caso disso, os órgãos sociais do Sporting reunirão na segunda-feira. O mesmo Jaime que já exigiu a demissão de Bruno de Carvalho- mas, afinal, não- por não ter condições para continuar como presidente do Sporting- mas, afinal, sim. E agora?

Se Jesus conseguir ter todos os seus principais jogadores em campo, no Jamor, no Domingo, terá operado um segundo milagre na mais recente história do clube, depois do episódio do primeiro “post” de Bruno de Carvalho após o jogo com o Atlético de Madrid. De certeza que Bruno de Carvalho é sportinguista? Eu não sou e lamento profundamente a enorme nódoa que este senhor vai deixar naquele clube. Que se vá embora e que não demore. E, se lhe for possível, sem bater com a porta, porque já fez estragos que chegue.

segunda-feira, 7 de maio de 2018

"Me engana que eu gosto..."

“Me engana que eu gosto”, ou, na versão portuguesa e de autoria de João Miguel Tavares, “O Silêncio dos Indecentes”; que deixou de ser silêncio para passar à batata quente de que todos se querem livrar porque, já se percebeu, vai rebentar na mão de muitos. E a indecência mantém-se. Numa alucinação precipitada de acontecimentos e críticas que desembocaram com a desfiliação de José Sócrates (essa figura única e irrepetível) do principal partido do Governo, eis que começam a sacudir-se muitas águas de muitos capotes. Agora, foi a vez de Fernanda Câncio. Que José Sócrates assim, que José Sócrates assado, coitadinhos de todos os que acreditámos nele que ainda acabamos todos a ser tomados por cúmplices. E nós, os outros, tomados por parvos. Outra vez! Os mesmos que, até agora, repetiam à exaustão, para defender o indefensável, que todos são inocentes até prova em contrário e que a justiça se faz nos tribunais, apressam-se na azáfama de se distanciarem o mais longe e o mais rápido possível da tempestade que aí vem. O melhor truque é fingir que não se percebeu nada de nada. Sócrates, esse mestre do engano e da dissimulação, é que a todos ludibriou, não só o país, como o partido, os amigos, as namoradas e por aí fora. Parece que, afinal, o “mau jornalismo” da SIC afectou mais gente do que se supunha. Não bradaram, tantos comentadores iluminados e sapientes, que aquelas imagens não aportavam nada de novo à investigação e contribuíam apenas para a tabloidização “pornográfica” da justiça? Pois é. Às vezes é preciso coragem para tomar uma decisão, ainda que (eventualmente) má, porque pior do que decidir mal é não decidir coisa nenhuma e fingir que não vemos o que se passa à nossa volta. Os ratos começam a abandonar o navio e a coisa não vai ser bonita de ver…